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No Amazonas, junho também tem FESTA DE BOI BUMBÁ

Por Giuliana Rodrigues

Mês de Junho, no Nordeste, é de festejo! Aguardado e curtido nos nove estados – alguns em maior intensidade – junho chega no embalo do forró, com a tradição da fartura das colheitas e das celebrações dos Santos: Antônio, João e Pedro, que dão nome às festas e são o motivo maior da comemoração.

No Norte, mais especificamente no estado do Amazonas, o mês do Junho também é ansiosamente esperado. Só que, lá, o mote maior dos festejos são dois bois: Garantido e Caprichoso, os reis do Festival Folclórico de Parintins! De tanta importância, o Festival já é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Giuliana no Bumbódromo, onde acontece a Festa do Boi Bombá

Reservada sempre para o último final de semana de junho, a FESTA DO BOI BUMBÁ acontece na cidade de Parintins (AM), a “Ilha Tupinambarana”, distante a 420 km da capital, Manaus, descendo o rio Amazonas.

O acesso à cidade não é fácil. Na verdade, para o turista, nada parece muito simples quando se quer participar da festa, que, apesar de ser gratuita e popular, implica em alguns desafios prévios, muito planejamento e alguma reserva financeira. Como primeiro passo, o interessado precisa QUERER, de verdade, participar da Festa do Boi. Isso porque cada etapa que costuma envolver o planejamento de uma viagem comum (como compra de passagens, reserva de hotel ou aquisição de bilhetes para “passeios”) aparece com uns bônus de obstáculos, quando se trata de Parintins, nesse período.

Não é pra menos. Conforme o Censo 2022 do IBGE, Parintins, que tem pouco mais de 96 mil habitantes, chega a receber aproximadamente 120 mil turistas em época de Festival. Já imaginou organizar esse povo todo para se hospedar, comer, beber e “festar”?!

Dito isto, vamos para as informações de quem esteve lá, no Festival de 2024

A Festa do Boi Bumbá acontece no Bumbódromo (uma arena com arquibancadas, no formato da cabeça de um boi, com capacidade para 25 mil pessoas), durante três noites (sexta, sábado e domingo), no último final de semana de junho. A cada noite, acontecem duas grandes apresentações, com duas horas e meia de duração, cada: uma do boi Caprichoso, da cor azul, outra do Garantido, na cor vermelha.

A partir do momento em que você escolher por qual torcer, assuma verdadeiramente a cor da torcida de seu boi, pois isso é levado muito a sério. Na realidade, dizem que não é você quem faz essa escolha, mas “o boi é quem escolhe você”.

Assim como ocorre em escolas de samba, nas quais “quesitos” (como bateria, alegorias e fantasias) são pontuados por jurados, durante as apresentações do Festival Folclórico, 21 “itens”, divididos em três blocos, são avaliados. São eles:

Bloco A (Comuns e Musicais): Apresentador, Levantador de Toadas, Batucada (bateria do boi garantido) ou Marujada (bateria do Boi Caprichoso), Amo do Boi, Toada (Letra e Música), Galera (torcida organizada) e Organização do Conjunto Folclórico.

Bloco B (Cenografia e Coreografia): Boi-Bumbá (Evolução), Coreografia, Alegorias, Lenda Amazônica, Vaqueirada e Figura Típica Regional.

Bloco C (Artístico): Ritual Indígena, Porta-Estandarte, Sinhazinha da Fazenda, Rainha do Folclore, Cunhã-Poranga, Pajé, Povos Indígenas e Tuxauas.

O interessante é que não há um dia igual ao outro. A cada noite de apresentação, novas alegorias, coreografias, toadas e fantasias são apresentadas. É realmente impressionante ver o que a população consegue criar, construir, reunir, ensaiar e apresentar, no meio da Floresta. Ao chegar na Terra da Magia, a cidade estará toda decorada nas cores azul e vermelha e o astral será de festa o tempo inteiro.

Como se preparar?

COMO CHEGAR EM PARINTINS?

Saindo de Manaus, há basicamente três maneiras para viajar até Parintins:

De BARCO, são cerca de 18 horas de viagem na ida e 24 horas na volta (o retorno é mais demorado, porque vai contra a correnteza do rio). Leve sua rede, pois será a maneira de garantir um lugar para dormir durante o trajeto. Refeições em quentinhas são vendidas em cada barco. A compra das passagens pode ser feita de maneira on-line ou no porto de Manaus.

De LANCHA: São cerca de nove horas de percurso na ida e 12 horas na volta. Tem a vantagem de ser uma opção mais rápida, pontual, com refeições inclusas e maior conforto, pois conta com ar-condicionado e poltronas reclináveis semelhantes à de um ônibus. No entanto, a passagem custa mais que a do barco.

De AVIÃO: os voos, que duram cerca de uma hora e são vendidos pelas companhias aéreas Azul ou Gol são, sem dúvida, a opção mais rápida e prática, porém, a mais cara. Os bilhetes começam a ser vendidos entre março e abril e, eventualmente, há promoções. É bom ficar atento para garantir ao menos um dos trajetos.

Aeroporto de Parintins. (Azul de vermelho)

O QUE LEVAR NA MALA?

A cidade é muito quente. Assim, leve roupas leves, protetor solar, repelente de insetos, tênis, boné, chapéu, acessórios e adereços na cor do Boi pelo qual você vai torcer. Caso pretenda fazer passeios e tomar banho de rio, levar roupas de banho.

ONDE SE HOSPEDAR?

A maioria das casas em Parintins já são construídas com o propósito de hospedar turistas durante os festivais. Dessa forma, será mais fácil encontrar suítes em casas de família e quartos compartilhados nas casas dos moradores, do que opções em pousadas e hotéis.

Você pode começar pesquisando antecipadamente no Booking ou AirbBnb, mas bom mesmo é quando se consegue algum contato com pessoas que já conhecem moradores e suas respectivas hospedagens, pois isso facilita a negociação e se evita cair em golpes.

Também há opção de pernoite nos próprios barcos (a rede continua lá, armada, para você ter onde dormir no fim do festival), ou camarotes (acomodações mais privativas, com banheiro, também no barco) e, ainda, pousada de redes (que é um sistema semelhante ao do barco, só que em terra firme).

COMO ASSISTIR O FESTIVAL?

Se há mais de 200 mil pessoas circulando na cidade, estando a maioria delas interessada em ingressar em um Bumbódromo com 10% da capacidade desse tanto de gente… certamente muitos ficarão de fora. Mas vamos às opções:

INGRESSOS: A melhor maneira de assistir as apresentações “in loco” é sentadinho na cadeira, posicionadas em frente ao espetáculo. Esta opção é paga e os ingressos – que custam entre 1.200 e 2.000 reais, pelas três noites – são vendidos já no mês de fevereiro, pela empresa organizadora do evento, a Amazon Best e no site Bilheteria Digital. O problema é que eles esgotam em minutos!

GALERA: A Galera é o item 19 do Festival. É a plateia de torcedores, que participa ativamente na animação do espetáculo, fazendo coreografias e cantando o tempo todo. A regra é: só pode parar de dançar e cantar enquanto o “contrário” estiver se apresentando. Ou seja: se você estiver na torcida do Vermelho, respeite o momento e aguarde quietinho a apresentação do Azul, e vice-versa. O concorrido acesso às arquibancadas pela Galera é gratuito, mas requer paciência e fôlego de atleta: são horas de espera em filas quilométricas, geralmente sob o sol, até que os portões sejam abertos. Mesmo assim, isso não garante a entrada, pois quando é atingida a capacidade máxima do Bumbódromo, os portões são fechados.

AO REDOR DO BUMBÓDROMO: Não conseguiu acesso? Não desanime, ao redor do Bumbódromo tudo é festa! Há inúmeros bares, restaurantes e lanchonetes abertos, além de vendedores ambulantes. Os comerciantes instalam TVs e telões para que as pessoas possam assistir, e verdadeiras torcidas, dignas de final de copa de mundo, se formam pelas ruas. É divertido e interessantíssimo de se ver!

NO CONFORTO DO SEU LAR: Tá aí a opção mais fácil, barata e acessível, para quem esteja em qualquer lugar do mundo. Todas as noites, a TV A CRÍTICA disponibiliza a transmissão completa do Festival pelo YouTube. Em 2025 as transmissões acontecerão a partir das 20h, nos dias 27, 28 e 29 de junho, e ficarão salvas para quem não conseguir ver em tempo real. Além disso, este ano, pela primeira vez, todas as grandes redes brasileiras de TV abertas, como Globo, Record e SBT, se credenciaram para garantir a cobertura jornalística da Festa do Boi Bumbá. Um fato inédito na história do Festival.

 

COMO SE LOCOMOVER?

Estação da Cultura

Apesar da existência de Taxi e Uber, o principal meio de transporte em parintins são os TRICICLOS, que são considerados um patrimônio cultural e imaterial. Os passageiros são levados nessas pequenas “charretes” por motos ou bicicletas e o preço, em 2024, estava “tabelado” em 10 reais, não importando o trajeto, se para perto ou longe.

O QUE FAZER NA CIDADE DURANTE O DIA?

Deixe para dormir depois que o Festival passar. Durante o tempo em que ficar acordado, aproveite para passear na cidade, conhecer a cultura, as comidas, as pessoas e tudo mais que Parintins possa oferecer. Há mercados, festas, bares e você pode circular pelos arredores do Porto, da Praça Digital, da Catedral de Nossa Senhora do Carmo e pelo Turistódromo, que reúne a Central de Artesanato Indígena (com venda de arte dos povos originários) e a Estação da Cultura (onde acontecem apresentações artístico culturais).

Além disso, é possível conhecer a Praça do Comunas, à beira do rio Amazonas, os Currais de cada Boi (lembre-se de respeitar a cor de cada um, quando for visitar) e o Mercado Municipal, para experimentar os pratos típicos e ver o belíssimo pôr do Sol.

O QUE COMER?

A culinária do Norte é riquíssima! Aventure-se no tacacá, açaí, x-caboquinho, na diversidade de peixes (tambaqui, pirarucu, bodó, tucunaré, pacu, curimatã), nas moquecas, drinks com frutas do Norte, sorvetes, petiscos, molhos de tucupi, baião, chips de banana frita, fritinhos de crueira, mingaus, tapioca… e tantas coisas mais.

 

A TERRA DA MAGIA

“Muito prazer
Meu nome é Povão
Sou cultura, sou festa, poeta
Sou povo da tradição”

Participar do maior espetáculo a céu aberto, em Parintins, é uma experiência única e indescritível, que faz valer todo esforço para poder acessá-la. Esta não é apenas uma festa popular. É uma incrível oportunidade de conhecer de perto a cultura, o folclore, as lendas, a devoção, a competição ferrenha, porém respeitosa, entre dois grupos, a reverência à natureza, aos rios, ao povo indígena e nossas origens

Vista sua camisa encarnada ou azul e se aventure ao som da batucada ou da marujada. As toadas nunca mais sairão de sua mente e os dois bois icônicos, Garantido e Caprichoso – maior razão de SER do festival do Povo da floresta – nunca mais vão sair do seu coração.

Texto e Fotos: Giuliana Rodrigues.

Com sinceros agradecimentos a Eduardo Rebouças, Vívian Batista, Milena Souza e Fabiano.

 

 

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