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O adeus a Sandman

Depois de três anos de espera pela sequência da série The Sandman, agora tive que me despedir com muita tristeza. Desde a primeira notícia sobre os inícios das filmagens, fiquei eufórica e com a expectativa nas alturas. Ainda mais falando sobre uma produção da Netflix, imaginei que dinheiro não faltaria para uma alta qualidade do conteúdo. No lançamento da primeira temporada, fui muito feliz porque minhas expectativas foram alcançadas: a série é linda, os cenários e os figurinos, os atores caíram como uma luva nas personagens, um CGI de alta qualidade (quase) todo o tempo e um roteiro à altura dos quadrinhos, com poucas modificações e muito respeito à história.

Mas Sandman é muito mais do que boniteza. Os quadrinhos para adultos geralmente têm essa classificação por serem muito violentos ou sexuais. Sandman é filosófico! As personagens são todas muito complexas e profundas, cada uma trazendo para o ambiente sua contribuição para os diálogos reflexivos e inspiradores.

Sim, é claro que a série corre com o tempo, pois se mostrasse a fundo cada personagem para que as conhecêssemos bem, seria um Smallville da vida, com 12 temporadas. Mas não era o caso. Seriam necessárias centenas de horas para contemplar a origem de cada entidade dos sete irmãos dos perpétuos, todas as menções à mitologia grega e também às lendas dos folclores populares de cada cultura, que tem seus responsáveis pelo sonho, pela morte, destino, destruição (guerra) etc. Mas essa produção já tinha como objetivo terminar na segunda temporada, então ela tinha que falar apenas o essencial. Apesar do escândalo, após denúncias de abuso sexual contra o criador desta graphic novel, Neil Gaiman, e os altos custos para produzir cada episódio, não foram esses dois fatores que fizeram com que a série tivesse apenas duas temporadas. Essa sempre foi a ideia inicial.

Sandman fez tanto sucesso que todos que amamos temos esperança de que ela retorne um dia, talvez não mais com este enredo, sem lorde Morpheus, mas explorando mais seus outros irmãos. Apesar de eu e outras pessoas que conheço terem passado por perdas mês passado, ver essa série agora me trouxe muito conforto, um alívio e conformação vindo de conversas profundas entre os deuses, que me fizeram refletir sobre a vida e a morte num mundo de fantasia que nos enche de beleza os olhos e esperança o coração. Viva a vida enquanto pode e sonhe acordado!

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