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Os Dragões queimaram o filme

Por Manu Mariz

Tem produtores, atores e diretores que são sinônimo de excelência. A gente vai ver o filme com a certeza de que sairemos felizes por causa das expectativas alcançadas. Mas sempre tem aquela vez, mesmo que rara, em que isso não acontece.

É o caso de Os Dragões, filme de 2021, somente lançado em 2025 (não encontrei o motivo), do cineasta Gustavo Spolidoro, que já tinha antes cinco longas e vários curtas, com ao menos cinco premiados, o que nos faz esperar muito de suas produções. O filme fala sobre cinco adolescentes que estão passando por mutações em seus corpos, se tornando dragões e, por mais interessante que seja a ideia de criar uma produção de fantasia do Brasil, que ainda não é especialista neste ramo, o filme é um verdadeiro balde de água fria em nossas esperanças.

As frases dos diálogos são ditadas com pouca ou nenhuma expressão. Os atores são jovens, tudo bem… Ainda podem melhorar com o tempo e a experiência, mas dão um ar de teatro escolar, de quando nós mesmos já tentamos ser atores porque o professor de educação artística nos obrigou, acentuando que nem todos, aliás, pouquíssimos ali temos o dom da interpretação.

Apesar dos cenários bem variados, interessantes, o mistério do que se tem do outro lado da montanha, a relação lúdica com o teatro local e de sabermos que se trata de uma aventura adolescente e fantástica, a montagem é pessima, o enredo é fraco e os erros de continuidade o faz ser um dos piores filmes deste ano, senão o pior que vi até agora. Único ator que se salva é o Marcos Breda, numa participação pequena, mas marcante. E a única frase do filme que também se salva é “É preciso questionar”. Realmente, esse filme me fez questionar muitas coisas…

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