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Quando os livros guiam viagens: visita ao Theatro José de Alencar

Fui visitar o Theatro José de Alencar, em Fortaleza. Apesar de o nome homenagear um dos grandes escritores brasileiros, não foi a obra dele que me trouxe até lá. Meu verdadeiro mapa chamava-se A Bailarina Fantasma, de Socorro Acioli. Foi pelas páginas desse livro que nasceu a vontade de conhecer o lendário theatro, onde ficção e realidade parecem se encontrar no mesmo palco.

Ao atravessar os portões de ferro trabalhado e me deparar com a arquitetura que mistura neoclássico e art nouveau, percebi que aquele cenário literário existia de verdade, e era ainda mais encantador fora das páginas. Cada vitral, corredor e degrau guardava ecos de aplausos antigos e sussurros de personagens que pareciam nunca ter deixado o palco.

Inaugurado em 1910, o theatro nasceu da demanda da aristocracia cearense e permanece como uma grande homenagem a José de Alencar. Obras como Senhora, O Guarani e, especialmente, Iracema reverberam pela cidade. No topo do palco, uma pintura retrata personagens do escritor, como se quisessem participar da visita.

A visita é guiada, com ingressos custando R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia). Durante o passeio, conversei com Antônio, um dos guias, sobre a obra de Socorro Acioli. Ele mencionou uma bailarina famosa, conhecida por sua afeição por gatos, que faleceu há anos, um detalhe curioso que ecoa a narrativa do livro, embora a história de Acioli seja ficcional.

Em cerca de uma hora, os visitantes são conduzidos por histórias que entrelaçam arte, arquitetura, política e, claro, literatura. É uma viagem no tempo e na imaginação, que confirma como os livros podem servir de mapas, levando leitores a destinos que talvez jamais descobrissem sozinhos. No Theatro José de Alencar, a literatura não é apenas homenageada: ela se visita, se sente e se experimenta.

 

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