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Trilhas de longo curso ganham espaço e movimentam comunidades na Paraíba


Ricardo Câmara fala sobre o Caminho das Ararunas e o crescimento do turismo de natureza na Paraíba

 

O turismo de natureza vive um momento forte na Paraíba, impulsionado pela busca por experiências ao ar livre, paisagens marcantes e uma relação mais próxima com o território. Nesse movimento, o Caminho das Ararunas se tornou uma das principais rotas do estado. A trilha de longo curso atravessa cinco municípios: Araruna, Dona Inês, Tacima, Riachão e Cuité, em aproximadamente 150 km de percurso entre vales, cânions e montanhas de até 550 metros. O trajeto conecta unidades de conservação bem preservadas, comunidades rurais e cenários que revelam diferentes nuances da Caatinga, sempre com vista para o Rio Grande do Norte.

O Caminho segue o padrão de sinalização da Rede Nacional de Trilhas e já integra o catálogo de experiências da COP30. A rota combina aventura, natureza e cultura local, convidando o visitante a conhecer vilas e povoados, observar a geografia singular da região e vivenciar práticas tradicionais do Curimataú. Hoje, atrai viajantes de vários estados brasileiros e de países como Portugal, França, Alemanha e Argentina.

Para entender como o percurso alcançou projeção nacional e o impacto desse avanço no ecoturismo da Paraíba, conversamos com Ricardo Câmara, presidente do Fórum de Turismo do Curimataú e secretário de Turismo de Araruna. Ele explica a criação da Rede Trilhas da Paraíba, os principais desafios do setor e o papel do Caminho das Ararunas na consolidação do estado como referência em turismo de natureza.

Como surgiu a ideia da Rede Trilhas da Paraíba e qual foi o principal objetivo ao criar essa iniciativa?

Ricardo Câmara: A Rede Paraibana de Trilhas começou a ser discutida há cerca de dois anos, mas ganhou força mesmo no último ano. Percebemos que várias trilhas estavam surgindo no estado, porém cada uma trabalhava de forma independente. A criação da Rede veio justamente para organizar esse movimento, alinhar tudo ao padrão da Rede Brasileira de Trilhas e às portarias 500 do Ministério do Turismo e do Meio Ambiente. A proposta é promover troca de experiências, compartilhar conhecimento e fazer com que uma trilha impulsione a outra. A ideia é que elas se conectem dentro da Paraíba, no Brasil e até na América do Sul. Uma das primeiras ações foi a realização do primeiro Congresso Paraibano de Trilhas de Longo Curso, realizado este ano em Araruna.

A Paraíba tem se destacado cada vez mais no turismo de natureza. Quais regiões ou trilhas do estado hoje chamam mais atenção dos turistas?

Trecho do Caminho das Ararunas

Ricardo Câmara: o Caminho das Ararunas hoje se destaca muito porque é a trilha mais estruturada e mais bem sinalizada da Paraíba. Isso tem atraído visitantes de várias partes do Brasil e até de outros países, dando a ela bastante visibilidade. Outras trilhas ainda estão em fase de formatação, ganhando corpo, mas acredito que nos próximos anos veremos novas rotas despontando com força. É o caso do Caminho do Rio Paraíba do Norte, no Cariri, das Veredas e da trilha gerida por um grupo de mulheres em Serra Grande, no Sertão. Todas vêm crescendo e a tendência é que ocupem cada vez mais espaço no turismo de natureza da Paraíba.

Quais são os principais desafios para consolidar a Paraíba como um destino de turismo de trilhas e ecoturismo no Nordeste?

Ricardo Câmara: Os grandes desafios agora são consolidar e implementar essas trilhas. Antes de tudo, as instituições precisam compreender que se trata de uma política pública. As trilhas funcionam como corredores ecológicos e também como políticas inclusivas de turismo de base comunitária.

Outro ponto fundamental é a qualificação dos empreendedores que atuam ao longo dos percursos e a ampliação do acesso ao crédito. No Caminho das Ararunas já percebemos essa necessidade: é preciso capacitar melhor as pessoas e facilitar o acesso delas a financiamentos. Muitas vezes, elas querem aprimorar suas estruturas, mas falta apoio e menos burocracia para que esses microempreendedores possam investir.

As trilhas funcionam como corredores ecológicos e também como políticas inclusivas de turismo de base comunitária.

 

O turismo sustentável é um tema cada vez mais discutido. De que forma a Rede Trilhas contribui para a conservação ambiental e o desenvolvimento das comunidades?

As trilhas de longo curso, dentro da Rede Brasileira de Trilhas, têm exatamente esse propósito: promover a conservação ambiental. Elas atraem visitantes para atividades na natureza e, ao mesmo tempo, abrem oportunidades para as comunidades que vivem dentro ou no entorno de unidades de conservação.

Essas populações podem oferecer serviços de condução, visitação, alimentação, artesanato, guiamento, observação de aves e visitas a sítios arqueológicos. É uma ferramenta importante para inclusão social e geração de renda — é a economia circular em prática. O turista busca uma experiência autêntica na natureza, e quem a oferece são os próprios moradores, as pessoas que nasceram, cresceram e vivem naquela região preservada.

O turista busca uma experiência autêntica na natureza, e quem a oferece são os próprios moradores, as pessoas que nasceram, cresceram e vivem naquela região preservada.

Quais são os próximos passos ou projetos futuros da Rede Trilhas da Paraíba? Há planos de expansão ou novas rotas sendo estruturadas?

Em 2026, devemos realizar o segundo Congresso Paraibano de Trilhas e o primeiro Simpósio Paraibano de Turismo de Natureza. Vamos trazer novas temáticas, novas tendências, e a expectativa é que as trilhas continuem se expandindo pela Paraíba, assim como no Rio Grande do Norte e em Pernambuco. Há um diálogo muito positivo com o Rio Grande do Norte, envolvendo empresas de turismo, condutores, guias, municípios e instituições ligadas à preservação, e o mesmo ocorre com Pernambuco.

Outras regiões da Paraíba também devem ganhar mais visibilidade. É um movimento que veio para ficar. Pessoas de várias partes do Brasil estão buscando experiências na Caatinga, e acredito que a Paraíba, especialmente o Curimataú, saiu na frente ao implementar a primeira trilha de longo curso, o Caminho das Ararunas.

Para quem deseja conhecer o Caminho das Ararunas, é possível percorrer a trilha por trechos isolados, o que facilita a experiência e permite roteiros personalizados. Ricardo Câmara destaca essa flexibilidade: é possível caminhar apenas parte do percurso, adaptar a distância e começar por áreas de maior interesse, garantindo que cada visitante tenha sua própria vivência na Caatinga.

A Araruna Adventure, agência especializada em turismo de aventura, ecoturismo e Turismo de Base Comunitária, opera o Caminho das Ararunas e oferece apoio completo ao viajante. Contatos pelo número 55+ 83 9.9175-9726 ou pelo Instagram @ararunaadventure.
Mais informações sobre a Rede Paraibana de Trilhas estão disponíveis em @caminhosdasararunas e @redepbtrilhas.

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