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A Odisseia tá diferente…

Por Manu Mariz

Conheci o trabalho do diretor Cristiano Burlan em 2023, quando assisti ao filme A Mãe, com Marcélia Cartaxo, e gostei bastante da forma como ele conduz suas histórias.

Desta vez, fui conferir o novo filme do cineasta, Ulisses. Se você, como eu, pensou que teria relação com Homero e com a Odisseia, acertou. A narrativa parte da premissa clássica de alguém tentando voltar para casa. Mas, se você imaginou casa como um espaço físico, errou o endereço.

O filme se constrói a partir de uma leitura muito particular do diretor sobre o que significa procurar um lar, algo que muda para cada pessoa. Pode ser alguém, um cheiro, uma memória, um sentimento. Essa é a grande força da produção. Trechos de textos, poesias, músicas e até rap ajudam a compor o tom das imagens em preto e branco, que acompanham uma busca quase febril por uma cidade igualmente intensa, São Paulo.

Por outro lado, quem não aprecia uma estética mais experimental talvez enfrente dificuldades. A produção aposta pesado em efeitos visuais e recursos de linguagem, com luzes, sobreposições e distorções numa verdadeira explosão sensorial. Não é apenas um filme fora da caixa. Ele desmonta a caixa, remonta de outro jeito e ainda pinta tudo com as próprias cores. Em alguns momentos, quebra a quarta parede e assume um tom quase didático, como se quisesse garantir que o espectador acompanhe suas intenções.

Se você não gosta de filmes mais viajados, com muitas luzes piscando e uma narrativa fragmentada, talvez essa experiência não seja para você. Mas, se bateu a curiosidade, ainda dá tempo. Há uma última sessão na terça-feira, 24 de Fevereiro, às 15h, no Cine Banguê, no Espaço Cultural José Lins do Rêgo, em João Pessoa.

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