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Mostrando só um lado da moeda

 

Nós sempre vemos as tentativas de lavagem cerebral dos EUA em seus filmes, não é mesmo? Algumas pessoas não sabem, mas estão engolindo a propaganda de que todo vilão é russo, se veste de verde-oliva com preto, se chama Dmitry ou Ygor e é grande, forte e barbudo. Aí vem o lorinho vestindo azul e vermelho estadunidense para salvar o dia mundo inteiro.

Mas e quando a história é contada pelo próprio lado? O escritor russo Georgy Demidov escreveu o livro chamado Dois Procuradores. O drama se tornou filme, que competiu no Festival de Cannes, e retrata a busca por justiça de um promotor na União Soviética de 1937, durante o terror stalinista. Porém a produção é dirigida por um ucraniano. Então… Não! Não dá para ter 100% de confiança de que a obra de um russo falando dos defeitos de um sistema de época em seu próprio país não foi alterado para pior.

Mas, de olho na produção, o longa é muito bem feito, bem produzido. Todo o clima em preto, branco, tons de cinza e de marrons, quase que nos faz sentir o gosto amargo daquela vida através dos olhos. O ritmo muito lento não chega a ser entediante porque é necessário para que sintamos a importância das decisões e da esperança.

Sentimos ainda mais o peso da decepção no final. Fazemos uma expectativa de tudo ser resolvido e a vida ficar linda como uma ilustração de revista espírita, mas esta não vem. O corte abrupto é necessário para que a gente sinta o choque de realidade. Que filmão!

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