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Guia Michelin corta passeios com animais e classifica touradas como “cruel e em declínio”

O Michelin Green Guide, publicação da Michelin Éditions, anunciou ontem (26) que deixará de recomendar atividades turísticas com uso de animais, como passeios de elefante e camelo, além de interromper a venda de artigos de couro. A decisão foi confirmada após posicionamento da Peta e marca os 100 anos do guia, com revisão de conteúdos sob a justificativa de promover turismo responsável e bem-estar animal.

A informação foi divulgada após posicionamento público da organização People for the Ethical Treatment of Animals (Peta). Em comunicado, a entidade afirmou que o guia confirmou que não irá mais recomendar “ativisdades turísticas que usem animais”, incluindo passeios de elefantes e camelos.

No comunicado divulgado pela Peta, a Michelin Éditions declarou: “Estamos convencidos da necessidade de apresentar conteúdo que promova o turismo responsável, o que inclui o bem-estar animal. Portanto, atividades que possam causar maus-tratos… foram removidas de nossos guias.” A editora afirmou que a decisão faz parte de um reposicionamento voltado à promoção de práticas alinhadas ao bem-estar animal.

Outra mudança editorial aparece na nova edição do Michelin Green Guide Spain

O guia passou a classificar a tourada como uma tradição “cruel e em declínio”, destacando a controvérsia em torno da prática na Espanha. A publicação menciona o debate público crescente sobre o tema. A organização descreve que, nesses eventos, touros são repetidamente feridos com lanças e banderilhas antes da tentativa de morte com uma espada direcionada aos pulmões do animal.

A presidente da Peta, Tracy Reiman, comentou em nota que passeios de camelo e touradas são espetáculos de sofrimento, e o Guia Verde Michelin está certo em deixar essas atividades cruéis e arcaicas nos livros de história. “A Peta está celebrando o Michelin por mostrar à indústria do turismo como até mesmo uma instituição centenária pode, e deve, evoluir para refletir a compreensão atual de que os animais são indivíduos que sentem dor e medo”, completa

A Michelin passa a integrar um grupo de empresas do setor de turismo que revisaram políticas relacionadas a atrações com animais. Nos últimos anos, diferentes marcas deixaram de ofertar experiências envolvendo passeios com elefantes e camelos, após campanhas de organizações de defesa animal que apontam maus-tratos e condições inadequadas.

Em 2025, empresas do setor, incluindo a Airbnb, concordaram em deixar de promover ou vender ingressos para passeios com animais nas Pirâmides de Gizé, no Egito, após campanha da Peta, que denunciou as condições de camelos e cavalos utilizados na atração. Anteriormente, em 2019, a Fodor’s Travel também deixou de recomendar passeios com elefantes e atualizou seus conteúdos para incluir informações sobre práticas associadas a esse tipo de entretenimento.

A Michelin anunciou o fim da venda de artigos de couro

Segundo a Peta, a decisão representa um avanço em relação à cadeia produtiva do couro, que envolve confinamento, mutilações e abate de animais. A organização também relaciona a indústria do couro a impactos ambientais, como emissões, degradação do solo, poluição e contaminação da água.

A revisão editorial ocorre no momento em que o Michelin Green Guide completa um século de existência. Criado como complemento ao Guia Michelin voltado à avaliação de destinos, o Green Guide é reconhecido por oferecer recomendações culturais, históricas e turísticas em diferentes países.

Ao retirar de suas páginas atividades envolvendo animais e encerrar a comercialização de couro, a publicação sinaliza uma mudança de diretrizes em linha com debates contemporâneos sobre turismo responsável. A decisão pode influenciar outros players do setor, considerando o alcance e a reputação internacional da marca.

A atualização do Michelin Green Guide representa uma alteração relevante na forma como um dos guias de viagem mais conhecidos do mundo aborda experiências turísticas com animais. Ao excluir recomendações de passeios com elefantes, camelos e referências positivas às touradas, além de encerrar a venda de couro, a publicação reposiciona seus critérios editoriais sob a ótica do bem-estar animal. O movimento ocorre em meio à pressão de organizações como a Peta e a mudanças já observadas em outras empresas do setor de turismo.

*Com informações do Mercado e Eventos

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