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Inteligência Artificial no Turismo: Especialista rebate polêmica e defende convivência entre tecnologia e guias profissionais

A recente reportagem do programa Mais Você, da TV Globo, que mostrou como a Inteligência Artificial (IA) pode ajudar turistas a montarem seus próprios roteiros de viagem, desencadeou uma onda de críticas por parte de entidades representativas da categoria dos guias de turismo em todo o Brasil. A fala da apresentadora Ana Maria Braga, sugerindo que “guia de turismo é coisa ultrapassada”, foi recebida com indignação por profissionais e associações.

Em nota pública, a Associação dos Guias de Turismo da Paraíba (AGTPB) repudiou o conteúdo da matéria e ressaltou a importância da profissão, regulamentada pela Lei Federal nº 8.623/1993. A entidade, que representa mais de 500 guias cadastrados no Cadastur, afirmou que a declaração desinforma a população e desvaloriza um ofício essencial para o turismo brasileiro.

“Os guias de turismo desempenham um papel essencial na promoção do patrimônio cultural, histórico, ambiental e social do Brasil, contribuindo de forma ativa para o fortalecimento do turismo como uma das principais atividades econômicas do país”, diz o comunicado.

A AGTPB ainda reforça que a presença de guias é sinônimo de segurança e qualidade na experiência do visitante, especialmente em locais que exigem conhecimento técnico, interpretação cultural e sensibilidade na mediação com o turista.

Diante da polêmica, o especialista em Marketing Digital no Turismo, Thiago Akira, concedeu entrevista ao site No Mundo do Turismo para comentar a repercussão. Ele afirma que a tecnologia não substitui o guia, mas sim oferece uma opção a um perfil de viajante que já existia antes mesmo da era digital.

“A pessoa que usa a IA para montar um roteiro é a mesma que, anos atrás, comprava guias impressos, lia blogs de viagem ou assistia a vídeos no YouTube. É um público que sempre buscou autonomia nas viagens”, explica Thiago.

Para ele, a Inteligência Artificial é mais uma ferramenta à disposição do turista, assim como as agências, blogs ou influenciadores de viagem.

“Existem pessoas que não abrem mão do guia, da agência, do cuidado personalizado. E existem outras que preferem a liberdade de montar seu próprio caminho. A IA apenas agiliza esse processo para quem já tomava decisões sozinho. A coexistência é perfeitamente possível”, afirma.

Tecnologia x Profissionalismo

Thiago também destaca que a IA não consegue substituir a experiência, o olhar humano e o conhecimento aprofundado que um guia local proporciona. “O que não se pode perder é a essência do humano trabalhando na linha de frente com o turismo”

Para destinos com maior complexidade, seja pela natureza do local, pela história envolvida ou por aspectos culturais sensíveis,  o acompanhamento de um guia profissional é não só recomendável, mas essencial.

Caminhos para o futuro

A discussão levanta uma questão mais ampla sobre como o turismo pode se adaptar às novas tecnologias sem que isso represente a desvalorização dos profissionais envolvidos no setor. O caminho, segundo Tiago, passa pela capacitação, pela comunicação clara do valor do trabalho dos guias e pela adoção inteligente das ferramentas tecnológicas como aliadas.

Enquanto a indignação da categoria é compreensível, especialistas apontam que o avanço tecnológico é inevitável e que o foco deve estar em como integrá-lo à experiência turística, sem desmerecer o papel fundamental do guia de turismo, profissional que, mais do que nunca, tem muito a oferecer em um mundo onde a informação está por toda parte, mas a curadoria e a experiência são cada vez mais valiosas.

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