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Observação de aves ganha rota inédita na Paraíba

Experiência terá versão em jogo educativo desenvolvido no curso de Turismo da UFPB

A primeira rota institucionalizada de observação de aves do estado representa um avanço para o turismo de natureza, a geração de renda e a inovação social. A Rota do Canto foi elaborada com pesquisa de campo, percurso definido e participação direta de comunidades locais e artesãos, indo além de eventos pontuais ou simples passarinhadas.

O eixo da rota integra os municípios de Dona Inês e Serra da Raiz, área onde foi registrado o beija-flor-vermelho, espécie de grande apelo visual que se tornou o símbolo do projeto. A confirmação da ave em ambos os municípios, após novas expedições, consolidou o território como promissor para o turismo de observação.

Idealizada por Alessandra Lontra, Agente de Roteiro Turístico do Sebrae-PB e observadora de aves amadora há mais de uma década, a Rota do Canto foi estruturada para unir conservação ambiental, turismo e desenvolvimento comunitário. O processo incluiu mapeamento de áreas, testes de percurso, identificação de espécies e envolvimento das comunidades desde o início.

Esse envolvimento já gera impacto econômico e cultural. No quilombo de Dona Inês, artesãs produziram peças exclusivas inspiradas no beija-flor-vermelho, como camisas com aplicações em crochê. Em Serra da Raiz, o grupo Copaoba, conhecido pela produção de cajados de caminhada, criou modelos temáticos com esculturas inspiradas na cabeça da ave. O restaurante Vila Flores também incorporou o pássaro à identidade visual, adotando o símbolo nos uniformes e na decoração do espaço.

O cuidado ambiental é um pilar da rota. A proposta inclui estratégias para favorecer a permanência da espécie, que é migratória. Durante o lançamento, um biólogo ornitólogo acompanhou o trajeto, validou o percurso e destacou o potencial de Serra da Raiz, que abriga dois biomas, Mata Seca e Mata Úmida, ampliando a variedade de espécies possíveis de avistar. Ele também apontou a probabilidade de ocorrência do pintor-verdadeiro, ave rara que atrai observadores de diversas regiões do Brasil e do exterior.

A relevância da iniciativa foi reconhecida nacionalmente com a inclusão da Rota do Canto no Catálogo Nacional de Experiências de Observação de Aves do Ministério do Turismo, processo acompanhado pela bióloga Cecília Licarião, referência no tema.

Inovação e educação: experiência ganha jogo de tabuleiro

A rota também avança no campo da educação. Um jogo de tabuleiro sobre observação de aves está em desenvolvimento em parceria com a professora Fabiana Nagabe, do curso de Turismo da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O material trará as espécies registradas em Dona Inês e Serra da Raiz e tem lançamento previsto para março, com posterior comercialização por artesãos, condutores e parceiros da rota.

Segundo Alessandra Lontra, o impacto econômico já começa a aparecer. “A agência Veloso Turismo, de Caaporã, foi a primeira a comercializar o roteiro. As vagas para os dias 7 e 8 de fevereiro se esgotaram em dois dias, gerando lista de espera. Para apoiar outras agências, criamos um catálogo explicativo sobre como vender a experiência, já que o segmento ainda é novo no estado, apesar de consolidado nos Estados Unidos e em países europeus”, afirma.

A qualificação dos condutores de Dona Inês e Serra da Raiz está em andamento, preparando a região para receber desde turistas iniciantes até observadores profissionais,público altamente especializado e disposto a investir em experiências de qualidade.

Com uma biodiversidade que coloca o Brasil entre os países com maior variedade de aves no mundo, a Rota do Canto desponta como uma oportunidade de unir conservação, turismo, renda e educação, posicionando o estado no mapa nacional do birdwatching.

Fotos: Alessandra Lontra

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