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Museu da Diáspora avança na Paraíba e projeta inauguração em 20 de novembro

O Museu da Diáspora, um dos projetos culturais mais simbólicos em curso na Paraíba, avança para sua fase decisiva e projeta inauguração para o dia 20 de novembro, data que marca o Dia da Consciência Negra. Idealizado como um espaço de memória, reparação histórica e valorização das culturas afrodescendentes, indígenas e ciganas, o museu será instalado na Praça Rio Branco, no Centro Histórico de João Pessoa, em um prédio de forte significado histórico e social.

Em entrevista ao No Mundo do Turismo, Lídia Moura, secretária das Mulheres e da Diversidade Humana da Paraíba, explica que o museu vai além da preservação do passado e propõe um novo olhar sobre identidade, pertencimento e desenvolvimento cultural, com impacto direto no turismo cultural e de experiência. Segundo ela, o projeto está em fase avançada de implantação e passou por um redirecionamento importante ao ser transferido para um prédio maior, localizado em um território marcado por memórias profundas da história brasileira.

Lídia Moura, secretária das Mulheres e da Diversidade Humana da Paraíba
Lídia Moura, secretária das Mulheres
e da Diversidade Humana da Paraíba

“A Praça Rio Branco foi palco de práticas de punição durante o período escravocrata e também guarda histórias de resistência, como a de Gertrude Maria, mulher negra que vendia seus quitutes no local como forma de conquistar sua liberdade. A presença do museu nesse espaço ressignifica o território e transforma o passado em instrumento de reflexão, aprendizado e valorização cultural”, comenta.

Atualmente, o projeto está concentrado na etapa de levantamento de dados e produção de conteúdo. Equipes de pesquisadores estão em campo, percorrendo comunidades quilombolas, indígenas e ciganas em diferentes regiões da Paraíba, com o objetivo de construir uma narrativa plural, representativa e conectada com os territórios que formam a identidade do estado. Segundo Lídia Moura, esse trabalho de base, embora menos visível ao público, está bastante adiantado e entra em fase final de consolidação.

A primeira leva de materiais produzidos a partir dessas pesquisas deve ser entregue em meados de fevereiro e será fundamental para a construção das exposições e experiências que irão compor o museu. O Museu da Diáspora também já conta com plano museológico definido, com diretrizes, normativas e conceito curatorial estabelecidos, garantindo coerência entre conteúdo, espaço e proposta educativa.

A próxima etapa envolve a aquisição de acervo, que será realizada em parceria com a Secretaria da Cultura e a Secretaria da Ciência e Tecnologia. Paralelamente, o projeto depende do diagnóstico técnico do prédio histórico, que precisará passar por um processo de restauração e adaptação. Após a conclusão do processo licitatório, a Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado (Suplan) deverá apresentar um cronograma mais preciso para essa fase.

Além de seu papel social e educativo, o Museu da Diáspora surge como um novo equipamento estratégico para o turismo cultural da Paraíba, fortalecendo o Centro Histórico de João Pessoa e ampliando a oferta de experiências ligadas à memória, à ancestralidade e à identidade. A expectativa da equipe é viabilizar a inauguração no dia 20 de novembro ainda este ano, reforçando o simbolismo da data e o compromisso com a valorização da história e da diversidade cultural.