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Turismo feminino em alta: quatro em cada dez brasileiras já viajaram sozinhas

Viajar sozinha deixou de ser exceção e passou a fazer parte da realidade de muitas brasileiras. Um levantamento inédito do Ministério do Turismo mostra que quatro em cada dez mulheres no país já fizeram ao menos uma viagem solo, e 31,4% afirmam que realizam esse tipo de experiência com frequência.

Os dados fazem parte do Guia para Mulheres que Viajam Sozinhas, lançado pelo governo federal. A publicação reúne orientações, relatos e informações para incentivar um turismo mais seguro e inclusivo, além de revelar como as mulheres brasileiras estão se relacionando com as viagens individuais.

Segundo a pesquisa, entre as 41,8% de brasileiras que já viajaram sozinhas — seja dentro ou fora do país — a maioria escolheu explorar destinos brasileiros. Ao todo, 35,9% disseram ter vivido essa experiência exclusivamente em território nacional. Apenas 4,6% afirmaram nunca ter feito uma viagem solo pelo Brasil.

O levantamento foi realizado entre agosto e setembro de 2025 e ouviu 2.712 mulheres de todas as regiões do país. As entrevistadas compartilharam percepções, motivações, medos e estratégias que adotam ao planejar uma viagem sozinha.

A motivação para pegar a estrada sem companhia passa pelo desejo de autonomia. Para 65,1% das participantes, a independência e a liberdade são fatores centrais para viajar sozinha. O turismo de lazer aparece em primeiro lugar entre os motivos (72,6%), mas também entram na lista o autoconhecimento, compromissos de trabalho e visitas a familiares.

Na hora de escolher o destino, a segurança aparece como o principal critério, superando fatores como preço e conforto. Esse ponto reforça uma tendência cada vez mais presente no turismo: a busca por experiências que permitam às mulheres circular com tranquilidade e liberdade.

O perfil predominante das viajantes solo é formado por mulheres entre 35 e 44 anos (34,6%), seguidas pelas faixas de 45 a 54 anos (22,1%) e de 25 a 34 anos (21,7%). A maioria possui renda entre três e dez salários mínimos e 67,7% não têm filhos. Entre as mães com filhos menores, mais da metade (58,5%) relatou sentir-se segura ao viajar com eles.

Com 72 páginas, o guia também amplia o olhar sobre diferentes perfis de viajantes, incluindo mães que viajam com filhos, mulheres maduras, profissionais em deslocamento a trabalho e aquelas interessadas em nichos como ecoturismo, bem-estar e gastronomia.

A publicação contou com a colaboração de 17 especialistas das áreas de turismo e gênero e teve parceria da UNESCO. A jornalista Anelise Zanoni, que participou da elaboração do material, explica que a ideia surgiu da observação de um movimento crescente entre mulheres viajantes.

Segundo ela, muitas brasileiras desejam viajar sozinhas, mas ainda enfrentam inseguranças ou falta de informação. O guia, portanto, busca reunir dados, experiências e orientações práticas que ajudem a ampliar a autonomia feminina no turismo.

O material também dialoga com políticas públicas voltadas à proteção das mulheres e com iniciativas que incentivam um turismo mais responsável. A proposta é reforçar que a segurança durante uma viagem não deve ser uma preocupação apenas da viajante, mas uma responsabilidade compartilhada por toda a cadeia do setor.

No Dia Internacional da Mulher, os dados revelam mais do que uma tendência de mercado: mostram um movimento de liberdade, descoberta e protagonismo feminino que ganha cada vez mais espaço nas estradas, aeroportos e destinos turísticos do Brasil.

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