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História do Brasil no Oscar: a primeira indicação

Por Manu Mariz

Já fiz o teste: quando pergunto às passoas qual foi o primeiro filme brasileiro a concorrer a uma estatueta do Oscar, todas respondem “O Quatrilho”. Talvez respondam isso porque foi a primeira que viram ao vivo ou, para as novas gerações, ouviram dizer o nome deste filme, que foi o antes de Ainda Estou Aqui, mas a resposta está errada.

O Pagador de Promessas, de 1962, dirigido por Anselmo Duarte, não só foi o primeiro longa brasileiro a concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (que depois viria a se chamar Melhor Filme Internacional e hoje se chama Melhor Filme de Língua não Inglesa) como também foi o primeiro da América Latina. Perdeu o prêmio, nesse ano, para o filme francês Sempre aos Domingos, mas ganhou a Palma de Ouro em Cannes no ano anterior, sendo o único filme brasileiro a levar este prêmio.

Rodado todo em preto e branco, a produção conta com um elenco onde alguns ainda são conhecidos atualmente, como Leonardo Villar, Glória Menezes, Othon Bastos e Antônio Pitanga, todos quase irreconhecíveis de tão jovens. O enredo conta a história de um homem tentando pagar uma promessa que fez para uma santa, mas o preconceito do padre local inicia um rebuliço maior do que a própria procissão que está acontecendo concomitantemente à tentativa do protagonista cumprir sua missão.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção ao assistir foi que, apesar do ano remoto, o diretor se utilizou de muita montagem, coisa muito difícil de se fazer com qualidade à época, de muitos takes de camera variados, posicionadas em vários lados e o uso de som direto captado e também depois reutilizado sobreposto às imagens. Portanto não me admiro em ele ter concorrido e ganhado prêmios, pois foi um trabalho grande e muito merecedor. Uma obra à frete do seu tempo, pois não era o costume e também não tínhamos tanto acesso às tecnologias avançadas. O esforço valeu muito a pena pois trouxe para nós uma narrativa que nos inseriu na cultura da Bahia através de seus sons originais. Belo trabalho!

P.S.: Não confundir o filme com a minissérie da TV Globo em 1988, com direção de Tizuka Yamasaki e escrita por Dias Gomes, estrelando José Mayer, Joana Fomm e Guilherme Fontes.

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