Como repetir o sucesso 20 anos depois?

Por Manu Mariz

A resposta: pegar um título que marcou toda uma geração, criar uma continuação de enredo coerente e, principalmente, juntar todo o grupo de grandes atores que super funcionam juntos. Esse é o segredo de O Diabo Veste Prada 2.

A continuação do filme de 2006, baseado no livro homônimo de 2003, entrou em cartaz no final de abril, mas maio já está terminando e não tem nem previsão para pararem de exibir o longa. No Brasil, o que diz quanto tempo a produção ficará em cartaz é a quantidade de público que ela ainda traz para as salas a cada semana, portanto ainda vai demorar um bom tempo em exibição. O longa tem atraído todos que amaram e foram marcados pelo primeiro filme. Porém não só de nostalgia é feito o público da continuação, pois muitos jovens vem acompanhando seus pais, amigos e familiares nesta nova aventura, lotando as salas de cinema.

E ainda: não repetiu o mesmo sucesso, na verdade, praticamente, triplicou os números. O primeiro filme gastou 35 milhões de reais para ser feito, arrecadou 137 milhões no primeiro final de semana e, até seu último dia em cartaz, fechou com 326 milhões. Já o filme dois gastou 100 milhões para produzir, recebeu 385 milhões no primeiro final de semana e agora, antes de completar 30 dias, já arrecadou pouco mais de 1 bilhão de reais em todo o mundo.

Já sabemos que uma continuação, por melhor que seja, não agrada tanto quanto o título original, pois o elemento surpresa já foi perdido. Então se torna mais difícil ainda agradar a um público que espera se sentir igual ou melhor do que quando assistiu pela primeira vez. É um trabalho muito difícil de ser realizado. Mas, para mim, eles conseguiram manter num bom nível a alta expectativa que exigimos de sequências. Muita gente reclamou do enredo, achou fraco… Eu não concordei. Até que tiveram um cuidado em fazer o roteiro ter sim umas historinhas bem amarradas umas nas outras e fazerem sentido dentro do contexto atual. Claro que tudo se passa muito rápido, porque a vida dos filmes é curta, mas teve sua complexidade sim!

O diretor é o mesmo do filme um e a atualização para os tempos modernos do assunto fica concentrada um dois polos: a troca da leitura da revista de moda (como de tudo) de papel para online e o comportamento da Miranda sendo corrigido, sempre que possível, por sua secretária, pois hoje já temos o entendimento melhor de que humilhar pessoas em ambiente de trabalho não é saudável e traz prejuízo aos funcionários. O que antes era apenas engraçado de ser ver na ficção, mas ruim na vida real, já não deve mais ser incentivado nem nela nem fora dela.

Aparecem várias pessoas famosas, modelos, estilistas famosos e famosas, um jogador de basquete, uma super dona de marca chique faz uma ponta e uma super cantora também, mas a atração fica mesmo por conta do quarteto fantástico dessa franquia. A mais fraquinha foi a, talvez queridinha da geração mais recente de atores adultos, Anne Hathaway. Foi a encenação mais opaca dela. Parecia meio “tanto faz”. Já a Emily Blunt veio amadurecendo muito e seus trabalhos e está muito bem. Mas a Meryl Streep… Ah! O que falar da Meryl? Está perfeita, como sempre. Essa mulher nunca falha. E o pobre coitado do Stanley Tucci, raramente falam dele nos textos de grandes sites, mas eu gosto tanto dele. É um querido, que está bem no seu papel e recebe o reconhecimento que merecia na trama, mesmo que por um segundo. Também super recomendo que vocês vejam o trabalho dele como apresentador de culinária de viagem em Tucci na Itália. Disponível na Disney+.

Enfim… Saí muito feliz do cinema (duas vezes, coisa rara para mim), além de aprender coisas sobre relacionamentos, ri, relaxei, soltei nostalgia pelos poros. Vale muito a pena ver e rever, como seu primeiro filme, que já passou dezenas de vezes na Sessão da Tarde.

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