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Paraíba fortalece o audiovisual com festivais e mostras de cinema em todo o estado

Antes mesmo de virar destino turístico, muitos lugares nascem no imaginário das pessoas através da tela. Um filme, um documentário ou até uma série têm o poder de despertar curiosidade, afetos e desejos de viagem. Na Paraíba, esse movimento ganha forma ao longo de todo o ano com uma rede crescente de festivais e mostras de cinema que vêm fortalecendo não só o audiovisual, mas também a cultura e a economia local.

No centro dessa história está o Fest Aruanda do Audiovisual Internacional da Paraíba, referência no estado e responsável por inspirar uma série de outros eventos que hoje se espalham por diferentes cidades. Esses festivais criam encontros, formam público e abrem caminhos para novos realizadores.

Para a atriz Zezita Matos, um dos nomes mais importantes das artes cênicas e do audiovisual brasileiro, esse crescimento é visível e necessário. “Os festivais sempre foram muito importantes para quem faz e gosta de cinema. O Aruanda é um marco e serviu de exemplo para tantos outros que hoje surgem nas cidades”, afirma.

Atriz Zezita Matos, um dos nomes mais importantes das artes cênicas e do audiovisual brasileiro

Essa expansão não acontece só na capital. Pelo contrário, o interior tem se tornado protagonista. De Cabaceiras a Cajazeiras, passando por cidades como Solânea, Sousa e Matureia, o cinema tem chegado a novos públicos e revelado novas histórias.

“Os festivais no interior ajudam a expandir o gosto e o fazer cinematográfico. Isso faz muita diferença”, destaca Zezita.

E não é só cultura: é também economia. Mesmo quando gratuitos, os eventos movimentam bares, restaurantes, vendedores ambulantes e pequenos empreendedores. “Sempre tem alguém vendendo um espetinho, um lanche, e isso gera renda. O impacto vai além da tela”, observa a atriz.

Cinema que nasce do território

Entre os muitos exemplos dessa interiorização, a Mostra Bananeiras de Audiovisual se destaca por ir além da exibição e investir diretamente na criação coletiva. Segundo o organizador Adilson Barros, a proposta é fazer com que o cinema nasça dentro da própria comunidade.

Foto: Adilson Barros / Mostra Bananeiras de Audiovisual

“Este ano, a programação começou antes mesmo das exibições, com uma oficina de cordel que já nasce com um propósito maior: dar origem a um novo filme”, relata Adilson. A iniciativa mobiliza, desde as primeiras semanas, estudantes de escola pública e moradores da cidade em um processo criativo coletivo, que se desenvolve em etapas interligadas.

O cordel produzido nas oficinas serve como ponto de partida para a criação do roteiro. A partir dele, o projeto avança para oficinas de produção audiovisual, onde a narrativa ganha forma em imagem. Na sequência, entram as etapas de edição de som e finalização, integrando diferentes linguagens e resultando em uma obra construída de forma colaborativa.

“A gente integra todos os resultados das oficinas para produzir um filme que será exibido na própria mostra”, destaca Adilson.

Foto: Adilson Barros

A programação também se espalha para além do centro da cidade. Antes das exibições principais, que acontecem entre os dias 16 e 18, a mostra já inicia sessões em comunidades, distritos e escolas da zona rural, ampliando o acesso ao cinema e fortalecendo a formação de público.

Outro ponto central é o tema. A mostra trabalha com uma abordagem socioambiental, alinhada à Agenda 2030 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), conectando o audiovisual a debates contemporâneos e ao território.

Incentivo que faz o cinema acontecer

Se hoje a Paraíba vive esse momento de efervescência, parte disso passa por políticas públicas que vêm fortalecendo o setor. O Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, firmou um acordo com o Ministério da Cultura para ampliar os investimentos no audiovisual.

O pacote reúne diferentes fontes e deve ultrapassar R$ 23 milhões destinados ao setor, incluindo recursos dos Arranjos Regionais, do Fundo Setorial do Audiovisual, da Política Nacional Aldir Blanc e do ICMS Cultural. Na prática, isso significa mais editais, mais produções e mais oportunidades espalhadas pelo estado.

A proposta também dialoga diretamente com o que já vem acontecendo nos festivais e mostras: descentralizar. A ideia é que os recursos cheguem a diferentes regiões, incentivando produções locais, fortalecendo cineclubes, ampliando a circulação de obras e até criando um acervo digital do cinema paraibano.

Para quem está na ponta, como realizadores e artistas, esse tipo de investimento é decisivo. Como lembra Zezita, o cinema ainda é uma arte cara, mas o acesso a políticas de incentivo tem permitido que muitos projetos saiam do papel. “Os curtas produzidos aqui trazem muito da cultura de cada lugar. Isso é muito forte”, diz.

Cabaceiras, conhecida como a Roliúde Nordestina e a Capital Paraibana do Cinema

Desafios ainda em cena

Apesar dos avanços, o cenário ainda exige atenção. O principal desafio segue sendo o financiamento. Nem todos os projetos conseguem acesso aos editais, e muitos realizadores ainda enfrentam dificuldades para viabilizar suas produções.

“Existem muitos projetos que precisam ser contemplados com as Leis de Incentivos, mas os recursos ainda não chegam para todos”, alerta Zezita. A fala reforça um ponto importante: o crescimento é real, mas ainda precisa ser sustentado e ampliado.

Um estado em cartaz

O ano já começou com eventos que abriram o calendário e mobilizaram público e realizadores. Em janeiro, o 2º Aracati Fest Cine deu início à programação. Em fevereiro, foi a vez do CineForte, em Cabedelo, reforçar a presença do audiovisual no litoral. A partir de abril, o circuito ganha ainda mais força e segue praticamente sem pausas até o fim do ano:

Confira:

Abril
• 13 a 18 – VI Mostra Bananeiras do Audiovisual

Maio
• 30/04 a 02/05 – 2° Cine Cabaceiras
• 21 a 23 – Cine Estação (Sousa)
• 28 a 30 – II Fest CineSol (Solânea)

Junho
• 10 a 13 – 8° Cine Sítio (Nazarezinho)
• 25 a 27 – I Cine Condado

Julho
• 15 a 18 – 3º FestCine Itaporanga
• 16 a 18 – 5º Curta Cuité
• 29/07 a 02/08 – Muído – Festival de Cinema de Campina Grande

Agosto
• 06 a 08 – Cinema nas Alturas
• 13 a 15 – 3° Curta Catolé
• 17 a 23 – 15° CineCongo
• 26 a 29 – Festival Cinema com Farinha (Patos)

Setembro
• 01 a 05 – Cine Açude Grande (Cajazeiras)
• 10 a 12 – Mostra Sumé de Cinema
• 16 a 19 – CineJabre (Maturéia)
• 18 a 20 – Festival de Cinema de Soledade (sujeito a recursos)
• 24 a 26 – Mostra BNB do Cinema Paraibano (Sousa)

Outubro
• 12 a 17 – FECINE (Areia)

Novembro
• 18 a 21 – Mostra Acauã (Aparecida)
• 24 a 29 – Comunicurtas (Campina Grande)

Dezembro
• 02 a 11 – Fest Aruanda (João Pessoa)

 

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