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Ouro Preto e Mariana: um roteiro de um dia pela história do Brasil colonial

Por Giuliana Rodrigues

Entre ladeiras de pedra, igrejas barrocas e memórias do ciclo do ouro, as cidades históricas de Ouro Preto e Mariana, em Minas gerais, oferecem uma imersão única na formação cultural e econômica do Brasil. Um roteiro de um dia pode ser suficiente para um primeiro contato com esses destinos, reunindo patrimônio histórico, arte e gastronomia típica mineira.

Feirinha de Pedra Sabão e Igreja de São Francisco de Assis. Ouro Preto

As paradinhas interessantes já começam na estrada que leva à Ouro Preto, próximo à entrada de Itabirito, onde se pode visitar o excêntrico Museu Jeca Tatu @museujecatatu , que reúne um acervo diferente, a céu aberto, com espaço de cinema e teatro e uma barraquinha onde se vende uma famosa iguaria da região: o pastel de angu, com recheios variados.

Em Ouro Preto, o passeio começa pelas ruas de calçamento histórico, que por si só já contam parte da história do século XVIII. No coração da cidade, a Praça Tiradentes abriga o monumento em homenagem ao mártir da Inconfidência Mineira, Tiradentes, figura central na luta contra o domínio colonial português. Ao redor da praça, os casarios preservados ajudam a compor o cenário colonial que tornou a cidade Patrimônio Mundial.

Outro ponto de destaque é a tradicional Feira de Pedra-Sabão, expressão viva de uma atividade artesanal com mais de dois séculos de história. A região ao redor de Ouro Preto é reconhecida como um dos principais polos de extração e produção desse material, utilizado na confecção de peças decorativas e utensílios típicos.

A visita também pode incluir a antiga residência do poeta e inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, além de espaços culturais como o Museu do Aleijadinho e o Museu Casa dos Contos, que ajudam a compreender o contexto artístico e econômico da época.

As igrejas são um capítulo à parte. A Igreja de São Francisco de Assis, com traços atribuídos a Aleijadinho, é considerada uma das obras-primas do barroco mineiro. Já a Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Perdões destaca-se por sua história ligada às irmandades de negros e mulatos nascidos no Brasil. A imponente Basílica Matriz de Nossa Senhora do Pilar impressiona pela riqueza interna: estima-se que cerca de 400 quilos de ouro tenham sido utilizados em sua ornamentação.

Além do patrimônio histórico, Ouro Preto também conquista pelo paladar. Restaurantes instalados em antigos casarões oferecem pratos típicos da culinária mineira, proporcionando uma experiência que une tradição e sabor.

Para completar o roteiro, a visita à Mina de Ouro Du Veloso revela um lado mais profundo — e duro — da história local. O passeio percorre túneis escavados por homens escravizados nos séculos XVIII e XIX, onde ainda são visíveis marcas do trabalho manual. A visita evidencia as condições extremas enfrentadas pelos mineradores, cuja expectativa de vida na atividade era de cerca de sete anos.

Mariana

A poucos quilômetros dali, a cidade de Mariana complementa a experiência. Na Praça Minas Gerais, o visitante encontra um dos conjuntos arquitetônicos mais emblemáticos do período colonial, formado pela Igreja de São Francisco de Assis, pela Igreja de Nossa Senhora do Carmo e pela histórica Casa de Câmara e Cadeia. Próxima dali, a Basílica de Nossa Senhora da Assunção, também conhecida como Catedral da Sé, é outro destaque. Atenção ao horário de visitação: a área costuma encerrar atividades por volta das 16h30, sendo recomendável chegar cedo.

Entre arte sacra, arquitetura colonial e memórias do ciclo do ouro, Ouro Preto e Mariana oferecem uma viagem no tempo — rica em história, beleza e significado.

 

INHOTIM: refúgio de arte e natureza

Inhotim. Brumadinho

Outra opção interessante é visitar Instituto Inhotim, em Brumadinho — um dos maiores museus a céu aberto da América Latina, que combina arte contemporânea e jardins exuberantes. O Instituto foi criado em 2006 e conta com 24 galerias de arte, cerca de 30 obras distribuídas pelo Jardim Botânico, diversos pontos de alimentação e lojinha.

Todos os guias de turismo indicam a visita ao Instituto, que fica a cerca de 55km de BH, e que pode ser feita através de empresas de transfer ou por conta própria (alugando um carro). Os ingressos podem ser comprados antecipadamente por meio do site do Sympla, mas nas quartas-feiras a entrada é gratuita (no entando também exige reserva prévia).

No fim das contas, uma viagem curta a Minas Gerais funciona quase como um convite: dá para aproveitar bastante, mas sempre fica a sensação de que ainda há muito por descobrir. E talvez essa seja justamente a melhor parte.

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