Uma mãe que mudou a História

Por Manu Mariz

No mês em que se comemora o Dia das Mães, eu quero indicar uma história real de uma mãe que mudou para sempre, e para melhor, a vida de toda uma comunidade. Me refiro à Mamie, a mulher negra que deu início aos processos contra brancos que nunca pagavam pelos crimes que cometiam contra os negros.

O Caso

Emmett Louis Till nasceu e cresceu na cidade de Chicago, Illinois, Estado que não participava da segregação contra os nregos. Por causa de um erro em seu parto, o menino ficou com um pequeno distúrbio no aprendizado, portanto, além de não crescer com medo do preconceito da comunidade branca, por não precisar, também foi superprotegido pela mãe, que nunca se separava dele. Um dia, sua mãe, Mamie Till-Mobley, depois de muita insistência dele, da mãe dela e do padrinho dele, o deixou ir passar férias com os primos no Estado do Mississippi, onde havia segregação, e, apesar de todas recomendações dadas, o menino agiu naturalmente com uma mulher branca. O marido dela o sequestrou para “dar uma lição”, mas acabou matando o adolescente. Desde então, Mamie não descansou até levar seus assassinos a julgamento.

As produções

Há documentários, curta-metragem, um filme e uma série sobre o assunto, mas aqui eu vou falar dos dois últimos, mais fáceis de encontrar nos serviços disponíveis.

A Série

Mulheres do Movimento é o título da série com 6 episódios disponível na Claro TV. Imaginei que esse nome foi escolhido para ser uma série de várias histórias sobre várias mulheres que se juntaram aos movimentos organizacionais que mudaram a trajetória de suas classes, mas, até agora, esse é o único caso mostrado. Achei estranho não fazer menção a algum nome que remetesse ao caso, mas o importa mesmo é que, por serem tantos episódios, a série pode mostrar mais minutos sobre cada acontecimento importante para entender o que aconteceu. Cada detalhe é falado tim-tim por tim-tim, deixando o desenrolar dos fatos bem fáceis de entender em linha reta de sequência. Mais um fato estranho foi que dedicaram os dois últimos episódios finais exclusivamente para falar do julgamento, o que achei tempo demais. Acredito que a intenção era contar cada absurdo que foi dito naquele tribunal para que tenhamos noção de quanto era monstruoso aquele tempo naquele local.

O Filme

Till: A Busca por Justiça, disponível no MGM, apesar de ter o sobrenome dos relatados, não fica claro para quem não conhece a história, mas já melhora na busca quando guem tentar achar conteúdo sobre o caso. Com apenas 2h11 de duração, a produção precisa correr mais um pouco para contar o mesmo conteúdo. Porém, não fica atrás em nada. Tudo de importante é falado, mesmo que algumas coisas sejam só citadas, soltas no ar para entendimento nas entrelinhas e um pouco de volta ao passado. Aqui, a produção se atém a recriar fielmente imagens reais do que foi registrado de fato: o caixão, o corpo, o funeral, até as fotos que aparecem na produção são iguais às que encontramos na Internet ao pesquisar o caso. Ao contrário da série, o filme apenas fala e mostra os envolvidos em movimentos sindicais, políticos e agentes importantes na construção de uma sociedade melhor para os negros, mas sem se aprofundar em cada um deles.

Um melhor do que outro?

Acredito que as duas produções se complementam. Uma com o toque de realidade que precisamos para sair da alienação e outra para esplanar todo o conteúdo sem deixar escapar nenhuma pessoa que participou em momentos cruciais para mudar as leis e acabar com a segregação. Ambas as atrizes e os atores mirins que fazem mãe e filho estão bem, com seus momentos de muito drama ou muita serenidade (no filme, há uma Whoopi Goldberg irreconhecível!), e as produções de locações, estúdio, casas, roupas, carros, cabelos e maquigens estão simplesmente impecáveis!

Neste mês, lembremos daquela que sofreu o que nunca nenhuma mãe deveria sofrer e que usou sua dor como combustível para lutar por direitos civis para todos os filhos de seu tempo e todos o que ainda estavam por vir.

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