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Anac afirma que Voepass apresentou informações inconsistentes sobre manutenção de aeronaves

O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Álvaro Faierstein, afirmou que a Voepass apresentou aos fiscais da agência informações sobre serviços de manutenção que não correspondiam ao que foi encontrado posteriormente nas aeronaves. A declaração foi dada ao programa Fantástico, da TV Globo, após a divulgação do relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre a queda do voo 2283, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024.

Segundo Faierstein, durante o processo de fiscalização acompanhado pela agência, técnicos da Anac indicavam intervenções que deveriam ser realizadas nos aviões. Em alguns casos, porém, a documentação apresentada pela companhia informava que os serviços já haviam sido concluídos, enquanto novas verificações apontavam que determinadas intervenções não tinham sido realizadas como registrado.

O presidente da agência reconheceu que as informações fornecidas pela empresa levaram a falhas no processo de fiscalização. O episódio passou a ser analisado no contexto das conclusões do relatório final do Cenipa, que identificou uma sequência de fatores relacionados à companhia aérea, à tripulação e à supervisão regulatória.

Relatório aponta sequência de falhas antes do acidente

Divulgado em 23 de julho, o relatório final do Cenipa concluiu que o acidente foi resultado de uma combinação de fatores e não de uma única causa. Entre os elementos identificados estão as condições severas de formação de gelo encontradas durante o voo, problemas no sistema de proteção contra gelo da aeronave, falhas relacionadas à manutenção, decisões tomadas pela tripulação e questões ligadas aos procedimentos e à supervisão da operação.

A investigação também apontou que a aeronave não deveria ter sido liberada para o voo nas condições em que se encontrava, uma vez que o sistema de proteção contra o acúmulo de gelo apresentava problemas. O relatório identificou ainda uma cultura organizacional de normalização de desvios na companhia, com falhas no registro e no acompanhamento de problemas de manutenção.

O voo 2283, operado por um ATR 72-500 da Voepass, fazia a rota entre Cascavel (PR) e o Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando caiu em Vinhedo, no interior paulista, em 9 de agosto de 2024. Todas as 62 pessoas a bordo morreram.

Fiscalização também entra no foco da investigação

As conclusões do Cenipa também apontaram aspectos relacionados à atuação regulatória. A Anac informou que fará uma análise técnica das recomendações apresentadas no relatório que estão dentro de sua competência e avaliará medidas relacionadas à fiscalização e à segurança operacional.

O relatório do Cenipa tem caráter técnico e preventivo e busca identificar fatores que contribuíram para o acidente e propor medidas para evitar ocorrências semelhantes. A investigação não tem como objetivo estabelecer responsabilidades civis ou criminais.

Após a divulgação das conclusões, a Voepass afirmou que mantém seu compromisso com a segurança operacional e que avalia tecnicamente os apontamentos apresentados no documento.

O acidente de Vinhedo é considerado um dos mais graves da aviação brasileira nas últimas décadas e trouxe novamente para o centro do debate questões relacionadas à manutenção de aeronaves, à gestão da segurança operacional e aos mecanismos de fiscalização do setor aéreo.

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