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Cinema nacional em novos rumos

O Brasil vem produzindo uma grande quantidade de audiovisuais de tipos variados. Curtas, longas, animações… Porém, ainda se repetem muito os temas, seja falando sobre o passado ou, quando abordam a atualidade, representando a realidade do povo a partir de suas posições geográficas.

Sei que temos muita história para contar enquanto país colonizado, os 21 anos de ditadura e o costume de mostrar para o mundo, por meio da denúncia, o que passamos e o que ainda se passa por aqui. Mas nosso povo é muito mais do que isso, e temos muitos bons artistas com criatividade para contar outras histórias.

Finalmente, tive o prazer de ver isso acontecer. No recente longa dos diretores Fernando Meirelles (indicado ao Oscar por Cidade de Deus), Rodrigo Pesavento (responsável pelas cenas de ação) e Ernesto Solis (idealizador do projeto e corroteirista), intitulado Corrida dos Bichos, temos um filme classificado como ficção científica e ação, mas que também entra na categoria de realidade distópica, características ainda raras no nosso cinema.

A produção se passa em um futuro após um desastre ambiental que destrói o Rio de Janeiro. A população é dividida, basicamente, entre ricos e pobres, e os ricos usam os pobres como entretenimento. Em uma corrida entre a vida e a morte, cada corredor é representado por um animal do jogo do bicho, popular no país, e os vencedores e finalistas ganham prêmios em dinheiro.

Sei que a ideia não é original, principalmente para quem já viu a saga Jogos Vorazes. Sei também que alguém pode pensar que a crítica social foi inspirada no livro de George Orwell, A Revolução dos Bichos. Mas ver tudo isso sendo transformado em uma receita bem abrasileirada me deixou muito feliz e esperançosa com o futuro diversificado das produções audiovisuais brasileiras.

O elenco é variado: a grande estrela Rodrigo Santoro; veteranos como Seu Jorge, Bruno Gagliasso, Grazi Massafera, Leandro Firmino e Ísis Valverde; nomes mais novos e conhecidos do público, como Matheus Abreu, Thainá Duarte e Silvero Pereira; além da participação especial da cantora Anitta.

Duas horas e quatro minutos não são tempo suficiente para se aprofundar em temas complexos, como desigualdade social e novas formas de escravidão. Ainda assim, a crítica social está presente o tempo todo, mostrando que quem detém o poder faz até o que não deveria simplesmente porque pode, enquanto o restante do povo corre, literalmente, para sobreviver.

A rapidez também não permite construir sentimentos muito profundos pelas personagens e, por isso, não enxergamos uma ligação tão forte de amor entre os irmãos protagonistas. O melhor mesmo fica por conta das cenas de ação, dos muitos efeitos especiais que mostram a tecnologia avançada daquele futuro e dos atletas de parkour contratados como dublês para as corridas, saltos e quedas que o jogo exige.

Vale a pena ver o Brasil entrar para esse tipo de produção e experimentar novas possibilidades dentro do cinema nacional.

Disponível no Prime Video.

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