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Megalópolis: a escorregada de Coppola

Por Manu Mariz

Aos 83 anos de idade e mais de 60 anos de carreira, o cineasta Francis Ford Coppola, na minha opinião e de milhares de outras pessoas que adoram o cinema, não tinha uma produção duvidosa. Agora tem!

O mesmo homem que nos deu O Poderoso Chefão, o melhor Drácula de Bram Stoker e o icônico Apocalypse Now, decidiu embarcar num projeto pessoal, quase messiânico. E bancou tudo sozinho: 120 milhões de dólares do próprio bolso para realizar Megalópolis (2024), uma ficção científica grandiosa em ideia, mas confusa na execução.

Na trama, um engenheiro-arquiteto-cientista descobre um novo elemento da natureza capaz de transformar o mundo. Ambientado em uma metrópole que espelha a decadência da sociedade americana, o filme apresenta o embate entre esse idealista e o prefeito local. Ambos desejam o mesmo: usar a descoberta para conquistar o amor e a admiração do povo, um pela genialidade e o outro pelo poder. O resultado é uma disputa de egos envolta em discursos sobre utopia, política e vaidade.

Coppola prometia uma obra visionária, um manifesto autoral sobre o futuro da civilização. Mas o que chega à tela é uma mistura de teatro, circo e sonho febril, em que nada parece totalmente real, nem as atuações, nem os cenários.

O elenco é estrelado: Adam Driver, Shia LaBeouf, Dustin Hoffman, Jon Voight, Laurence Fishburne e Giancarlo Esposito (ufa!). Mesmo assim, muitos foram subaproveitados, e nenhum grande papel feminino se destaca. Alguns atores parecem deslocados, outros, presos num tom que não conversa com o resto da produção.

Megalópolis fracassou nas bilheterias, arrecadando menos de 15 milhões de dólares. Ainda assim, há algo de bonito na teimosia de Coppola: a coragem de arriscar tudo para realizar um sonho antigo. Talvez o erro tenha sido querer construir uma nova Roma em plena Hollywood e acabar soterrado pelos próprios escombros.

Quem quiser tirar as próprias conclusões, Megalópolis está disponível no Telecine.

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