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Amores Materialistas com zero química

Por Manu Mariz

Assisti a Amores Materialistas (2025), o novo filme de Celine Song. Fui movida pela lembrança de Vidas Passadas, seu primeiro longa, que havia me encantado, mas já sabia que grandes expectativas costumam trazer grandes decepções. Song, com sua sólida experiência no teatro e premiada estreia no cinema, parecia pronta para repetir o sucesso, porém acredito que isso não se confirma em sua segunda produção.

O filme Amores Materialistas tem um tema de fundo potente, daqueles que poderiam render reflexões profundas sobre o comportamento humano e as relações contemporâneas. No entanto, a diretora desperdiça o potencial, entregando uma trama rasa e mal aproveitada.

O roteiro toca apenas superficialmente nas contradições da sociedade de consumo, flertando com críticas à hipocrisia de quem oferece pouco, mas exige demais, e à ganância e preconceitos que se disfarçam sob vernizes de virtude. Em alguns momentos, nem o disfarce se sustenta, e mesmo assim nada convence. Os personagens parecem perdidos, sem saber o que realmente buscam, e acabam desviando do próprio propósito narrativo.

A experiência de assistir ao filme se salva, em parte, pela presença de Chris Evans, ainda difícil de desvincular do eterno Capitão América, e de Pedro Pascal, sempre carismático e seguro em cena. Já Dakota Johnson permanece apática, sem graça e sem expressão, como se passasse pelo filme no piloto automático.

As quase duas horas de duração são recheadas de diálogos artificiais, forçados e por vezes constrangedores, que me deram a sensação de que o público estava sendo subestimado. Poucas falas realmente respeitam a profundidade que o tema merecia. É uma pena ver um debate tão promissor se perder em meio a clichês e incoerências.

Está disponível na HBO Max.

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