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Cidade dos Sonhos (despedaçados)

Por Manu Mariz

Um dos poucos cineastas considerados gênios, David Lynch, faleceu em janeiro deste ano. Para homenagear o legado do aclamado diretor, foi feita uma restauração em alta qualidade de resolução (4k) do seu longa mais conhecido, Cidade dos Sonhos (Mulholland Drive) e este foi reexibido nos cinemas de todo o mundo. Tive a oportunidade de vê-lo pela primeira vez na telona e, realmente, traz uma experiência bem melhor e completa do que ver em casa.

Cidade dos Sonhos é um filme daqueles em que as pessoas dizem a piada “No início, eu não entendi nada, mas no final, parecia que estava no início”, fazendo alusão ao fato de que não entendeu nada em hora nenhuma e que nem o final esclareceu as dúvidas, só deixou com mais ainda. Mas aí está a parte boa de assitir à uma produção novamente: como você já sabe a história de fundo, não precisa mais prestar tanta atenção nela e pode se ater aos detalhes.

Da primeira vez em que eu vi, fiquei remoendo e remoendo até que eu entendi uma parte do que eu entendo hoje, porém ainda restavam algumas partes que não se encaixavam. Hoje, assistindo pela terceira vez, consegui ligar muitas coisas e somente uma parte ficou solta, sozinha, onde eu não consegui encaixá-la com nenhuma outra parte. Talvez seja para ser assim, talvez seja só eu. E é logo a parte de susto que muita gente diz ser o “jumpscare” mais efetivo da história do cinema mundial. Mas eu não dou spoilers, então tirem suas próprias conclusões.

Fico sempre impressionada com as três atuações de Naomi Watts, quando ela é ela mesma, quando ela quer ser de outra forma e quando ela é atriz. Também fico chocada com a beleza de Laura Harring, misteriosa e evasiva neste papel. É uma obra de arte de direção e montagem, em que cada mudança de cores te diz onde você está na cabeça da protagonista. Uma produção atemporal que vale a pena ser revisitada.

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