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Globo de Ouro 2026: edição histórica para o Brasil

A 83ª edição do Globo de Ouro, realizada nos Estados Unidos, entra para a história, e, desta vez, também para a do Brasil. Pela primeira vez, o país concorreu em três categorias, feito inédito, e saiu vencedor em duas, outro marco histórico: Melhor Filme de Língua Não Inglesa, para O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, e Melhor Ator em Filme de Drama, para Wagner Moura, pelo mesmo longa.

Arrisco dizer que a terceira vitória não veio por uma lógica bastante comum entre associações de críticos votantes: dificilmente um mesmo filme leva todos os prêmios aos quais concorre. A tendência costuma ser a de “dividir os louros”, premiando obras diferentes, o que não diminui, em nada, o feito brasileiro.

Nossa relação com o Globo de Ouro não é recente. Ela remonta a 1960, quando Orfeu Negro venceu o prêmio então chamado de Melhor Filme Estrangeiro, mesma categoria que hoje consagrou O Agente Secreto. Décadas depois, em 1999, foi a vez de Central do Brasil repetir o feito. Ainda assim, vitórias brasileiras sempre foram raras, e por isso mesmo tão celebradas.

No ano passado, após um hiato de 25 anos sem o Brasil aparecer entre os vencedores, Fernanda Torres quebrou o jejum ao ganhar o prêmio de Melhor Atriz em Filme de Drama por Ainda Estou Aqui. O filme também concorreu a Melhor Filme de Língua Não Inglesa, mas não levou. Agora, enfim, o país conquista as duas categorias principais, superando um dos favoritos da temporada, o francês Foi Apenas um Acidente.

A noite também foi marcada por outro recorde: Owen Cooper tornou-se o ator mais jovem, aos 16 anos, a vencer o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante em Televisão, pela série Adolescência. Ele é o segundo mais novo da história a levar um Globo de Ouro, ficando atrás apenas de Ricky Schroder, que venceu aos 9 anos, em 1980, como Melhor Nova Estrela do Ano por O Campeão.

A cerimônia apresentou ainda duas novas categorias. A primeira, Realização Cinematográfica de Bilheteria, levanta dúvidas até agora sobre seus critérios e propósito. A segunda, Melhor Podcast, veio acompanhada de uma limitação curiosa: apenas produções em formato audiovisual, exibidas como séries com episódios, foram consideradas, podcasts exclusivamente em áudio ficaram de fora.

Confesso que, apesar de toda a torcida e da velha máxima de que a esperança é a última que morre, eu estava receosa. A concorrência era forte, e o peso político de filmes como Sirat e Foi Apenas um Acidente, dialogando diretamente com questões urgentes do mundo atual, costuma, sim, influenciar os votantes. Sem desmerecer nenhum dos excelentes concorrentes, que bom que desta vez deu Brasil.

Uhu! Que venha o Oscar.

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