Home / Colunistas / Manu Mariz / Somente mais um filme sobre o holocausto?

Somente mais um filme sobre o holocausto?

Nuremberg é a nova produção, lançada nos cinemas no último dia 26, que vem nos falar sobre segunda guerra mundial com uma parte não contada antes nas telonas. Baseada no livro O Nazista e o Psiquiatra, do médico psiquiatra Douglas Kelley, a obra conta a história dele mesmo, que foi designado para avaliar a saúde mental dos vinte e dois líderes nazistas remanescentes que foram presos após perderem a guerra. Os focos do longa são a relação do médico com maior líder, abaixo de Hitler, Hermann Göring, e o julgamento do Tribunal de Nuremberg sobre os crimes de guerra deste e de todos os outros líderes presos.

Apesar de ter grandes nomes no elenco, um diretor conhecido por ser roteirista de grandes títulos e uma produção bem cara, este filme foi totalmente ignorado pela premiação do Oscar, provavelmente pela divisão em que se encontra: não está totalmente ruim nem totalmente bom em nenhum setor. Nas atuações, nomes famosos como Rami Malek e Russel Crowe, vencedores da estatueta, não me convenceram. O primeiro está totalmente fora do contexto e o segundo, fazendo papel dele mesmo, arrogante e narcisista (ao menos se passou ao esforço de aprender um pouco de alemão). Já um nome que nunca me decepciona é Michael Shannon, está bem como sempre, e destaco as suspresas bem refrescantes da personagem do tradutor, que é coadjuvante, mas ofuscou o principal, chamado Leo Woodall, e o filho de Tom Hanks, Colin Hanks.

Como todo filme sobre o holocausto que se preste a lembrar o horror da guerra e do holocausto, para que nunca esqueçamos (e que as novas gerações fiquem sabendo para além dos livros da escola), há sim o momento de passar vários minutos de filmagens reais de pessoas mortas pelos nazistas nos campos de concentração. Se você não aguenta ver isso – ou não aguenta mais! – dá para fechar os olhos somente nesta hora e aproveitar o resto da produção. Lembrar é para que nunca mais deixemos que as coisas ruins cheguem a ser repetidas. Porém, alguns povos podem fazer com outros aquilo que foi feito com eles mesmos, mostrando que nada é garantia de coisa alguma.

É um filme que merece ser visto e falado sobre ele, criticado negativa e/ou positivamente. Mostra como a guerra continua matando, não só pessoas como a alma e a maneira de como ver a vida, mesmo depois de terminada. De como o mal termina não só com a existência, mas também como envenena o espírito.

Marcado: