Home / Dicas de Viagem / Minas Gerais em poucos dias: um roteiro enxuto para aproveitar Belo Horizonte

Minas Gerais em poucos dias: um roteiro enxuto para aproveitar Belo Horizonte

Minas Gerais deixa saudades… e vontade de voltar

Por Giuliana Rodrigues

Viajar para Minas Gerais é, ao mesmo tempo, gostoso e desafiador: gostoso pela comida, pela hospitalidade e pela atmosfera acolhedora; desafiador pela quantidade de destinos interessantes espalhados por um território enorme. Por isso, quando o tempo é curto, a melhor estratégia é assumir um roteiro enxuto e bem planejado — priorizando experiências marcantes em vez de tentar “ver tudo”.

Uma porta de entrada obvia é a capital, Belo Horizonte, com chegada pelo Aeroporto Internacional de Confins. Apesar de ser o principal aeroporto da capital, ele fica relativamente distante da área urbana. Uma opção prática e econômica para o deslocamento é o ônibus da Conexão Aeroporto, que conecta o terminal a regiões estratégicas de BH, como a rodoviária e o bairro Savassi — ideal para quem quer ganhar tempo logo na chegada. As passagens são vendidas em totens de autoatendimento dentro do aeroporto e custam a partir de R$ 28,70 por pessoa (em pesquisa feita em março de 2026).

Na hora de escolher onde se hospedar, bairros como Savassi e Lourdes costumam ser os favoritos de quem está a passeio. Savassi, em especial, combina praticidade e boa localização: concentra bares, restaurantes, comércio, supermercados e ainda fica próximo de pontos culturais importantes, espalhados pelo Centro e pela Praça da Liberdade.

Para quem busca uma referência objetiva, o Royal Design Savassi Hotel é uma opção bem avaliada e funcional, com café da manhã. Outras inúmeras opções de aluguel de flats e apartamentos também estão disponíveis através de aplicativos, como o Booking e AirBnb.

Comer bem

Um dos grandes destaques da viagem é, sem dúvida, a gastronomia. Minas não decepciona — e, muitas vezes, o melhor da experiência está longe de restaurantes sofisticados. Explorar mercados, botecos e cafés tradicionais pode render descobertas memoráveis. No Mercado Central de Belo Horizonte @mercadocentralbh , por exemplo, vale encarar o movimento e garantir um lugar nos famosos balcões da Lanchonete Palhares, do Bar da Lora ou do Zé da Onça, conhecidos pelos petiscos típicos, como o famoso fígado com jiló, muita carne de porco, pastel de angu, tutu, frango com quiabo, pão de queijo, tranças de pão de batata… Ah, sem contar as inúmeras opções de lojas que vendem queijos, doces, cachaças, souvenires e tudo o mais que couber na mala, na volta para casa.

No Centro da Cidade, uma parada clássica é o Café Palhares @cafepalhares , tradicionalíssimo e famoso por pratos robustos da culinária mineira. Lá vende um famoso prato feito chamado KAOL (uma abreviação de “kachaça”, arroz, ovo e linguiça), sempre acompanhado de couve, torresmo, farofa com feijão e um molho secreto.

O Café Palhares foi fundado em 1938 e é considerado o “balcão” mais famoso da cidade, sendo reduto dos boêmios e administrado, atualmente, pela terceira geração da família. Há filas diariamente na hora do almoço e você pode experimentar também os pastéis do Sr Elói, funcionário da casa, que são fritos na hora, e refrigerante Guaramão (uma mistura de guaraná e limão, fabricado em BH). As opções de KAOL ainda sugerem variações com pernil, língua de boi, dobradinha ou carne cozida. Sem dúvida, uma experiência imperdível.

Mercado Novo

Tendo passado, em 2014, por uma reforma que o transformou em um polo de economia criativa, atraindo novos negócios (envolvendo moda, gastronomia, antiquários, artesanatos, livrarias e outras atividades), novos empreendedores e novo público, o Mercado Novo @mercadonovobh figura hoje como um ponto de encontro de sucesso para empreendedores, visitantes, turistas e locais, que buscam um ambiente de diversão, cultura, boa comida e entretenimento.

Ele mostra um lado mais contemporâneo da cidade: um espaço revitalizado que mistura gastronomia, arte e economia criativa. Ali, opções como a Pão de Queijaria, Moscata Empada e o Bento Bolinhos surpreendem com recheios inventivos e sabores bem brasileiros, enquanto bebidas artesanais — como as do Lambe Lambe, Xeque Mate, Xá de Cana e Carimbó – este à base de açaí, guaraná e gengibre — completam a experiência.

O Mercado Novo funciona todos os dias da semana, mas as lojas e bares podem abrir em horários variados. No prédio, projetado em 1960 para ser o mercado municipal de Belo Horizonte, ainda funciona a feira livre, no térreo, e balcões de prestação de serviços, sendo os últimos andares reservados aos bares, lojas e lanchonetes.

Andar a pé eu vou…

Mirante das Mangabeiras

Caminhar por Belo Horizontes e por suas ladeiras é essencial. Entre um passeio e outro, a cidade oferece ótimos pontos para apreciar a paisagem e a cultura local. O Mirante das Mangabeiras (localizado no bairro de mesmo nome e situado atrás do Palácio do Governador e próximo à Praça do Papa), tem entrada gratuita e proporciona uma vista ampla da capital, especialmente bonita no fim da tarde, o que não nos deixa nenhuma dúvida sobre o porquê da capital se chamar Belo Horizonte.

No coração de Belo Horizonte, a Praça da Liberdade se consolida como um dos principais cartões-postais da capital mineira — e também como um vibrante polo cultural a céu aberto. Rodeada por jardins bem cuidados e edifícios históricos, a praça abriga o chamado Circuito Liberdade, que reúne museus e centros culturais instalados em antigos prédios públicos, hoje revitalizados e abertos à visitação.

Parte desse cuidado se deve a um modelo de gestão compartilhada: espaços históricos vêm sendo adotados por grandes instituições e empresas, como Cemig, Vale e Banco do Brasil, que contribuem para a manutenção e programação cultural desses locais, em parceria com o poder público.

Entre os destaques do circuito estão o imponente Palácio da Liberdade, antiga sede do governo estadual; o Centro Cultural Banco do Brasil, com exposições e programação diversificada; o Museu das Minas e do Metal, mantido pela Gerdau; e a Casa Fiat de Cultura, referência em mostras de arte.

Ao redor da praça, o visitante também encontra edifícios residenciais projetados por Oscar Niemeyer, que ajudam a compor o charme arquitetônico da região. Caminhar por ali é um convite a uma exploração tranquila de algumas horas, entre cultura, história e lazer.

Além das atrações culturais, a própria praça é um espetáculo à parte: cenário perfeito para fotos, encontros descontraídos e pequenos prazeres, como saborear uma tradicional pipoca feita na hora. Bem cuidada tanto pela prefeitura quanto pela iniciativa privada, a Praça da Liberdade segue como um exemplo de preservação e uso inteligente do patrimônio histórico.

O charme da Pampulha

Outro passeio interessante é a Pampulha, bairro em Belo Horizonte que abriga o Santuário Arquidiocesano, ou Igreja São Francisco de Assis, a famosa Igrejinha da Pampulha. Inaugurada em 1943, com projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer e Joaquim Cardoso, ela foi construída toda em linhas curvas e foi o último prédio inaugurado do Conjunto Arquitetônico da Pampulha, nas margens da Lagoa. Além disso, é decorada com um grande painel do artista Cândido Portinari, onde se vê um cachorro representando um lobo, junto à São Francisco de Assis.

Igrejinha da Pampulha

Se houver tempo para esticar o roteiro, os passeios “bate-volta” são altamente recomendados. Cidades históricas como Ouro Preto e Mariana oferecem um mergulho na arquitetura colonial e na história do Brasil.

Marcado: