Rota do Bioma da Caatinga apresenta novas formas de conhecer o Sertão paraibano

O Sertão paraibano reserva experiências que vão muito além das paisagens características da Caatinga. Na Rota do Bioma da Caatinga – Vale dos Sertões, os visitantes percorrem trilhas, conhecem tradições culturais, visitam comunidades quilombolas, experimentam a gastronomia regional e descobrem histórias que ajudam a compreender a relação entre o povo sertanejo e o território onde vive.

O roteiro passa pelos municípios de São José do Sabugi, Santa Luzia e Várzea, reunindo atrativos que valorizam a identidade local, o ecoturismo e as experiências ligadas às comunidades da região.

São José do Sabugi: serras, umbuzeiros e iniciativas sustentáveis

Em São José do Sabugi, a experiência começa na Serra do Exu, formação rochosa que proporciona uma ampla vista da paisagem sertaneja. O percurso atravessa áreas de vegetação nativa e revela características marcantes da Caatinga, além de histórias e saberes que fazem parte da cultura local.

Serra do Exu

Ao longo da caminhada, um dos encontros mais simbólicos acontece sob a sombra de um umbuzeiro, árvore que representa resistência e convivência com o semiárido. A trilha é considerada de nível moderado, alternando trechos de subida com momentos de contemplação da paisagem.

O roteiro também aproxima os visitantes de iniciativas voltadas à preservação ambiental. Em comunidades rurais, viveiros de mudas nativas na Comunidade Latadinha e áreas de agrofloresta do Senhor Inácio Garcia mostram como técnicas sustentáveis vêm contribuindo para a recuperação de áreas antes degradadas. A visita permite conhecer experiências de reflorestamento e manejo adaptadas à realidade da Caatinga.

A gastronomia completa o passeio no Restaurante Terra Comida Afetiva, com pratos preparados a partir de ingredientes locais e receitas que atravessam gerações, revelando sabores tradicionais do sertão.

Santa Luzia: cultura viva e tradições quilombolas

Em Santa Luzia, a cultura se apresenta em diferentes formas e convida o turista a conhecer histórias que ajudam a compreender a formação do Sertão paraibano. O roteiro percorre os quilombos do Talhado Rural e Talhado Urbano, comunidades reconhecidas pela preservação de tradições afro-brasileiras, pelos saberes transmitidos entre gerações e pelo forte sentimento de pertencimento de seus moradores.

No Talhado Rural, os visitantes têm a oportunidade de conhecer o cotidiano da comunidade, ouvir relatos sobre sua trajetória e entrar em contato com manifestações culturais ligadas ao forró, à memória oral e à gastronomia. O território também guarda referências importantes do cinema brasileiro, tornando-se cenário de narrativas que ajudaram a projetar a riqueza cultural da região para além das fronteiras do sertão.

Enquanto no Talhado Urbano, o barro ganha protagonismo. A tradição da cerâmica artesanal, preservada principalmente pelas mulheres da comunidade, transforma a matéria-prima em peças que carregam identidade, memória e ancestralidade. Além de acompanhar o processo de produção, os visitantes podem participar da atividade e experimentar técnicas utilizadas há décadas pelas artesãs locais.

Louceira do Talhado

A passagem por Santa Luzia também inclui espaços dedicados à preservação da memória e do patrimônio cultural. Museus, centros culturais e atividades ligadas à literatura de cordel ajudam a contar a história da cidade por meio de personagens, acontecimentos e tradições que permanecem vivos no imaginário popular.

As manifestações populares completam a experiência. O Coco de Roda reúne música, dança e celebração coletiva em uma tradição mantida por gerações. Já o forró pé de serra embala encontros e celebrações, reafirmando a importância da música como elemento de identidade cultural.  Santa Luzia revela um patrimônio cultural construído ao longo do tempo e preservado por quem mantém viva a memória do sertão.

Várzea: paisagens da Caatinga e experiências rurais

No município de  Várzea, a Serra da Viola apresenta um percurso cercado por formações rochosas e cenários que revelam diferentes aspectos da Caatinga. Considerada uma trilha de nível difícil, é indicada para quem já possui mais experiência em caminhadas. O esforço é recompensado por mirantes naturais que oferecem vistas amplas da paisagem sertaneja e permitem observar elementos característicos da vegetação local.

Serra da Viola e sua formação exótica

A relação do sertão com a produção de alimentos também ganha espaço no roteiro. Uma das experiências mais procuradas é a visita a uma queijeira artesanal, no Sítio Riacho da Cozinha, onde os visitantes acompanham etapas da produção do tradicional queijo manteiga e conhecem histórias ligadas à atividade.

Entre os atrativos estão ainda o Sítio Loreto, ligado à memória e à religiosidade da população local, e uma típica casa sertaneja onde os visitantes conhecem tradições relacionadas ao cultivo do arroz vermelho, produto que faz parte da identidade agrícola da região.

A viagem termina no Sítio Arqueológico do Pindurão, um dos tesouros históricos de Várzea. O local abriga um extenso conjunto de inscrições rupestres gravadas sobre um grande lajedo de pedra, com desenhos geométricos e símbolos produzidos por povos ancestrais que habitaram a região há milhares de anos.

Pela riqueza e quantidade de gravuras preservadas, o sítio costuma despertar comparações com a famosa Pedra do Ingá, um dos mais conhecidos monumentos arqueológicos da Paraíba. Cercado pela paisagem da Caatinga, o Pindurão oferece uma oportunidade de conhecer vestígios deixados pelos primeiros habitantes do sertão e observar de perto registros que ainda despertam curiosidade entre pesquisadores e visitantes.

Percorrer a Rota do Bioma da Caatinga é descobrir um Sertão construído por memórias, cultura e resistência. Das trilhas em meio à vegetação nativa às comunidades quilombolas, passando pela gastronomia e pelas manifestações populares, o roteiro reúne experiências que revelam diferentes faces do Vale dos Sertões e reforçam a riqueza cultural do interior paraibano.

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