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Spielberg já pode se aposentar?

Por Manu Mariz

Estreou, na última quinta-feira nos cinemas de todo o mundo, um dos filmes mais aguardados do ano. Dia D, o último trabalho do famosíssimo diretor Steven Spielberg, fala sobre um assunto que o fascina: vida em outros planetas. Seu currículo passa por terror com Tubarão, ficção científica com Jurassic Park, aventura com Indiana Jones, e até realidades históricas como A Lista de Schinler. Mas nada nunca superou os seus trabalhos sobre aliens, como em E.T. – O Extraterrestre e Contatos Imediatos do 3° Grau. Justamente por causa de suas grandes obras é que fazemos grandes expectativas. E já sabemos que com grandes expectativas (muitas vezes) vem junto grandes decepções.

Não é que chegou a ser ruim, valeu muito a experiência no cinema, pois esse tipo de filme, com perseguições, muita ação e um show de efeitos especiais são bem melhores quando vistos na tela grande. A qualidade do som também é um bônus. Mas se tenho que falar dos defeitinhos, que são muitos e não pude deixar de ver, então vamos!


No alto de seus 79 anos, talvez Spielberg esteja cansado demais para acompanhar com afinco uma produção tão grande, de duas horas e vinte minutos. Deixou a impressão de que ficou com preguiça de refazer as cenas até que elas ficassem parecendo realidade e então apenas deixou rolar. Não estou nem falando de erros de sequência, que percebi alguns poucos, mas sim do que eu chamo de “erros de realidade” mesmo. Isto é não considerar a inteligência do telespectador. Considero até uma falta de respeito com quem assiste. Tudo bem a criação mágica na parte dos aliens, que não precisa de explicação lógica, sequer científica, mas nas partes de vida dos humanos, ignorar leis da física como atrito, pressão do ar e tempo, aí deixa a coisa desleixada demais!

Alguns comportamentos humanos também saem do padrão, como o de gente treinada e pessoal que faz aquilo há décadas… Porém não há o que reclamar das atuações. A Emily Blunt, eu nunca vi essa mulher fazer um trabalho ruim e, mesmo que o roteiro não ajude, ela está ótima. O Josh O’Connor, gosto do trabalho dele desde The Crown e aqui ele está no bom normal dele, assim como o Colman Domingo, sem destaque excessivo para os dois, porém mais tempo de tela pro primeiro do que pro segundo. Mas então tem um ganhador do Oscar de Melhor Ator, Colin Firth, que, infelizmente, está um pouco apagadinho, apesar de sua importância e destaque na trama. Mais uma vez, o roteiro não ajudou. O destaque especial vai para uma moça desconhecida que faz o papel da última apresentadora de TV que dá várias notícias em sequência e fez um trabalho excepcional. Não consegui achar o nome dela na Internet, mas dá pra sentir em seu rosto o desespero pessoal enquanto ela tenta se manter profissional.

Outra queda de qualidade que vemos é o do roteirista David Koepp, que já foi aplaudidíssimo por sucessos como Jurassic Park (1993), Missão Impossível (1996) e Homen-Aranha (2002). Ele vem colecionando amargos fracassos nós últimos anos com A Múmia (2017), Indiana Jones 5 (2023) e Jurassic World – Recomeço (2025). Espero que ele consiga sair desse furacão (será que é uma fase mesmo ou será que ele já pode se aposentar também?).

No mais, o que sei é não importa quanto tempo Steven ainda vai viver e se ele vai trabalhar até ficar “gagá”, o que vai acontecer é que não importa quantos trabalhos ele ainda nos entregará antes de morrer, nós, os “antigos”, veremos tudo que vier só pela expectativa de viver (de novo) momentos incríveis que marcam nossas vidas. O medo que faz é dele não arrecadar o suficiente para se pagar e continuar produzindo. Talvez apenas seu nome não seja mais o suficiente para bater bilheteria.

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