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Memória afetiva desbloqueada com sucesso

Por Manu Mariz

Recentemente chegaram na plataforma Netflix três séries bem antigas e um documentário, relativamente novo, todos sobre assuntos que nos marcaram nos anos 1990 e 2000. Ao vê-los, me transportei ao tempo em que minha maior preocupação era ou passar nas provas da escola de segundo grau ou nas da faculdade. Me senti novamente sentada na frente da TV, nas tardes e finais de semana, torcendo para ser um capítulo na sequência e não um repetido.

O primeiro, e mais antigo, se chama Beverly Hills 90210, mais conhecido como Barrados no Baile. Lançado em 1992 pela Globo no Brasil, é a da trama mais bobinha (e também a mais alienada, criticando a alta classe social desta comunidade) porque tem seu foco nos problemas mais iniciais da adolescência, como paxonites, corações partidos, infrações e suas consequências, pouco envolvimento com os problemas familiares e só algum pensamento sobre o futuro das oito principais personagens. É aquele momento de ver algo suave e refrescante para desanuviar a mente.

Em seguida vem One Tree Hill, aqui exibida como Lances da Vida em 2005 pelo SBT. Nessa época, eu já era uma jovem adulta que trabalhava e o enredo já não me prendia tanto, pois é um drama bem “emo”, americanizado, do jovem incompreendido, porém maduro precoce por causa da vida sofrida e vive em disputa com o meio-irmão considerado legítimo pelo pai. Este já apesa mais a mão nos problemas familiares e pessoais, sobre descobrir a própria personalidade e não o quanto vai deixar os pais definirem quem se é.

O próximo se chama Everwood – Uma Segunda Chance, também de 2005 e também pelo SBT. Este se apresenta com diálogos mais próximos da realidade, com um drama na medida certa, trazendo uma reflexão justa de cada momento e sem forçar a barra para um dramalhão desnecessário que desvia o brilho da profundidade do que é mostrado. Muito interessante de se ver e nos dá lições pra vida inteira.

Por fim, mas não menos importante, o documentário Ligue Djá – O Lendário Walter Mercado, bordão do apresentador astrólogo e vidente porto-riquenho que fez muita fama nos anos 1990 com seus programas e sua linha direta para consultas. O longa conta toda a história de vida e trajetória profissional daquele que ilustrou nosso imaginário místico, com uma mistura entre Vera Verão e Elke Maravilha, e marcou para sempre gerações do mundo todo. Conta o porque de seu desaparecimento logo após a grande ascensão e depois seu breve retorno à mídia. Uma produção incrível, muito bem feita e detalhada, que mostra um ser humano excepcional, único. Me emocionei. Foi fantástico! Ô tempo bom que não volta mais, mas pode ser revisitado.

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