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Pedra da Boca vira cenário para desfile de moda autoral patrocinado pela Riachuelo

Evento gratuito transforma um dos principais cartões-postais da Paraíba em passarela para coleções criadas por estilistas e artesãs, unindo moda, cultura, turismo e economia criativa.

Um dos cenários naturais mais impressionantes da Paraíba será transformado em passarela no próximo dia 17 de julho. A Pedra da Boca, em Araruna, será cenário do desfile do projeto Mãos da Moda, reunindo moda autoral, artesanato e patrimônio natural em uma experiência que conecta criatividade, cultura e turismo.

Promovida pela Nordestesse, com patrocínio da Riachuelo por meio das leis de incentivo à cultura, a iniciativa chega à Paraíba após sete meses de desenvolvimento entre estilistas e grupos artesanais. O desfile acontece às 15h, no Spazio das Pedras, localizado nas proximidades do Parque Estadual Pedra da Boca, e apresentará coleções inéditas criadas a partir do diálogo entre o design contemporâneo e os saberes tradicionais.

Parque Estadual da Pedra da Boca, em Araruna (PB)

Além do desfile, o público poderá visitar uma feira com exposição e comercialização de peças produzidas pelos grupos artesanais participantes. O evento é gratuito e aberto ao público. Serão disponibilizados 200 lugares para convidados, representantes das marcas, artesãs e autoridades, enquanto o restante dos visitantes poderá acompanhar a programação em uma área livre.

Depois de estrearem nacionalmente durante o Dragão Fashion Brasil, em Fortaleza, as coleções ganham agora uma apresentação especial na Paraíba. Desta vez, o cenário escolhido é um dos patrimônios naturais mais emblemáticos do estado, reforçando a conexão entre moda, território e identidade cultural. Após o desfile, as peças serão comercializadas nos sites das marcas participantes e parte da coleção também chegará, na segunda quinzena de agosto, à Casa Riachuelo, em São Paulo.

Para Daniela Falcão, fundadora da Nordestesse, escolher a Pedra da Boca como palco do desfile reforça um dos principais objetivos do projeto: descentralizar a moda e aproximá-la dos territórios que inspiram sua criação.

“A gente sempre teve o desejo de levar os desfiles para além das capitais. Araruna comemora 150 anos de história e é uma locação perfeita, pois reúne uma paisagem única que representa a identidade desse território. Queríamos mostrar que a moda também pode ocupar cenários naturais e dialogar com a cultura de cada lugar.”

Segundo Daniela, a iniciativa acompanha um movimento observado em grandes marcas internacionais, que vêm escolhendo paisagens naturais e patrimônios culturais como cenários para apresentar suas coleções, aproximando ainda mais a criação da identidade dos lugares onde elas são apresentadas.

Moda autoral com identidade paraibana

 

Marca Morada

Entre os destaques do desfile está a Morada, criada pela estilista Lu Azevedo. A marca tem como essência o bordado labirinto, uma das expressões artesanais mais tradicionais da Paraíba, reinterpretado em coleções contemporâneas que unem tradição e design.

Desde a primeira coleção, lançada em 2022, a estilista pesquisa novas possibilidades para inserir o labirinto na moda contemporânea. No projeto Mãos da Moda, a proposta foi combinar a delicadeza do bordado com o jeans, criando peças de linguagem urbana sem perder a essência artesanal.

Segundo Lu Azevedo, a experiência permitiu explorar novos caminhos criativos e fortalecer o trabalho desenvolvido pelas artesãs. “O projeto propunha justamente essa aproximação entre marcas autorais e grupos artesanais. Já trabalhávamos com o labirinto, mas aproveitamos a oportunidade para experimentar uma estética diferente, utilizando o jeans e criando novas possibilidades para essa técnica tradicional.”

Outra representante da Paraíba é a Carnavália, que desenvolveu a coleção Trama Delírio em parceria com a Associação de Macramistas Aramê, de Araruna. Criado por Duda Carvalho, o trabalho evidencia o macramê como elemento central da criação e demonstra como o fazer manual pode agregar valor à moda contemporânea, preservando técnicas tradicionais e fortalecendo a identidade cultural do território.

Para Daniela Falcão, esse é um dos principais objetivos do Mãos da Moda: construir relações duradouras entre estilistas e comunidades artesãs, fortalecendo cadeias produtivas, ampliando oportunidades de mercado e valorizando conhecimentos que atravessam gerações.

“O artesanato oferece à moda autoral um diferencial impossível de reproduzir em escala industrial. Cada peça carrega a história de quem a produz, tornando o trabalho manual um patrimônio cultural e também um importante ativo econômico.”

O desfile transforma a Pedra da Boca em uma vitrine da criatividade paraibana. A iniciativa demonstra como moda, artesanato, turismo e patrimônio natural podem caminhar juntos, fortalecendo a economia criativa e projetando um dos destinos mais emblemáticos da Paraíba para o Brasil.

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