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Sua cidade também é destino

Às vezes, soltamos aquele velho suspiro: “Não tem nada pra fazer nessa cidade…” E nem percebemos o quanto deixamos de ver todos os dias. A pressa, o costume e o “depois eu vejo” vão tornando invisível aquilo que está bem diante dos olhos.

Lembro bem de uma vez em que levei minha mãe ao Centro Cultural São Francisco, em João Pessoa. Mais de sessenta anos de vida, nascida e criada na cidade, e nunca havia entrado ali. Sempre passava em frente, olhava os portões, os muros… mas nunca atravessou. Talvez tenha faltado tempo, ou oportunidade, ou só aquele impulso de curiosidade. Afinal, o que se vê com frequência começa a parecer comum.

Minha mãe na primeira vez que visitou um dos pontos turísticos da própria cidade

É curioso como, muitas vezes, quem mora não enxerga o que há de mais bonito no próprio lugar. Enquanto os turistas chegam deslumbrados, tiram fotos de cada detalhe, ouvem atentos as histórias contadas por guias animados, nós passamos apressados, como se tudo já fosse conhecido demais para merecer atenção.

No último feriado, resolvi fazer algo diferente. Fui ver o pôr do sol do Jacaré, em Cabedelo, a cerca de quarenta minutos da capital paraibana. Levei minha mãe comigo. Assim que chegamos, ela comentou, surpresa: “Muita gente pra ver esse pôr do sol, né?” Riu, como quem já viu aquilo tantas vezes que perdeu a conta, e talvez o encanto. Para ela, Jurandy tocando o Bolero de Ravel já era uma cena repetida. Mas bastava observar os rostos ao redor: olhos brilhando, celulares erguidos, silêncio respeitoso enquanto o saxofone preenchia o ar.

Entardecer na Praia do Jacaré

Naquele instante, me veio o estalo: quantas vezes deixei de visitar um lugar aqui perto só porque estava sozinha, com vergonha ou achando que “não tinha nada demais”? Quantas belezas passaram por mim despercebidas? Basta sair da cidade para virarmos turistas entusiasmados, querendo ver tudo, experimentar tudo, registrar tudo.

Foi aí que decidi: está na hora de turistar na própria cidade mais vezes. Olhar com mais calma, com mais curiosidade, viver cada espaço como se fosse a primeira vez.

Fica aqui meu convite. Faça uma lista dos lugares que você sempre quis conhecer “um dia”. Vá sozinho, com amigos, com a família. Tire fotos de ângulos inusitados, pergunte sobre a história, converse com quem vive ali. Guarde essas memórias, porque elas também contam a sua história.

Afinal, às vezes o que a gente procura lá fora está bem aqui, só esperando ser redescoberto.

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