Home / Colunistas / Manu Mariz / Oscar 2026: não foi desta vez

Oscar 2026: não foi desta vez

Por Manu Mariz

Quando eu soube que o Wagner Moura foi chamado para apresentar alguma coisa na cerimônia do Oscar, me veio um desengano. Ninguém sobe duas vezes no mesmo palco, é raríssimo! Chamar para apresentar é meio que um prêmio de consolação, pois ganhará nada.

Mas, quando eu vi que cada um foi chamado para apresentar a pessoa que selecionou o elenco de seus próprios filmes, me animei de novo que talvez ele tivesse chances de ganhar. A alegria durou pouco, porque logo percebi que somente ele era o ator principal dos filmes escolhidos. Todos os outros eram coadjuvantes. Infelizmente eu tinha acertado, ele não ganhou o Oscar de melhor ator.

Não vou mentir que minha única esperança real era que o Brasil ganhasse melhor elenco, prêmio criado no fim do ano passado e entregue este ano pela primeira vez. Não veio. Achava que Micheal B. Jordan iria mesmo levar o Melhor Ator, pois a Academia adora dar prêmio para quem faz (bem feito) duas ou mais personagens no mesmo filme.

Achei também que, já que Ainda Estou Aqui ganhou o Oscar de Melhor Filme de Língua não Inglesa ano passado, não dariam duas vezes para o mesmo país. Não dariam para assunto de guerra, porque a Academia é meio da “turma do deixa disso” e muita vezes fica em cima do muro, deixando o ativismo para os convidados, então não daria para A Voz de Hind Rajab nem Sirât. E Valor Sentimental estava muito bom mesmo e vinha numa ótima campanha.

Foi triste Sonhos de Trem não ganhar Melhor Fotografia. Não só pelo profissional ser brasileiro, mas sim porque é realmente muito lindo e merecia sim, mais do que todos os outros. Pecadores fez o quê, gente??? É muito tempo dentro de um armazém…

No mais, não me surpreendi quando vi Uma Batalha Após a Outra levar muitos prêmios. É uma típica produção para Oscar. Um clássico tipo de filme ganhador de tudo do Oscar. Mesmo com toda a mudança que a Academia tem tentado fazer em maneiras de votações e diversidade de votantes (em relação ao país de origem, idade, culturas) – e falhando miseravelmente quando deu o Oscar de Melhor filme para No Ritmo do Coração em 2022 – ainda assim não conseguiu alterar o suficiente sua essência, portanto, permanecendo previsível. Nem o recorde de dezesseis nomeações de Pecadores conseguiu mudar isso.

Mas O Agente Secreto foi muito bem de trajetória, está de parabéns pelos mais de 50 prêmios ganhos desde Cannes até hoje e tão importante quanto o reconhecimento recebido é ter o trabalho ser visto pelo mundo todo e ser exaltado. Viva o cinema brasileiro!

Marcado:

No Mundo Play