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Artesãs paraibanas mantêm viva a arte milenar do Batik

Tecidos estendidos, potes de tinta e o cheiro de cera quente fazem parte da rotina de quatro artesãs que mantêm viva uma tradição que atravessou oceanos até chegar ao Sertão da Paraíba. Em Catolé do Rocha, a arte do Batik ainda é produzida de forma artesanal, preservando uma técnica que chegou à cidade na década de 1960 e que hoje integra a memória cultural do município.

O Batik é uma técnica milenar de tingimento artesanal por resistência, originária da Indonésia, especialmente da ilha de Java. O processo utiliza cera quente para bloquear a tinta em determinadas áreas do tecido, criando desenhos e padrões únicos a cada peça.

A artesã Francisca Elita conta que o conhecimento chegou à cidade pelas mãos de um casal de norte-americanos que se estabeleceu na região naquela época. Segundo ela, os dois vieram ao Brasil durante o período da guerra em seu país de origem e decidiram viver no interior paraibano, onde passaram a compartilhar a técnica com mulheres da comunidade.

“Eles passaram cerca de quatro anos ensinando a gente. Quando viram que já tínhamos aprendido bem a técnica, até ajudaram a conseguir clientes para o nosso trabalho”, lembra.

Artesãs Francisca Elita e Rita Alves

Com o tempo, o aprendizado coletivo deu origem a uma cooperativa que chegou a reunir 42 mulheres produzindo peças em Batik. A atividade se transformou em fonte de renda para muitas famílias e ajudou a fortalecer o artesanato como parte da identidade cultural da cidade.

O processo de produção exige paciência e precisão. Tudo começa com a transferência do desenho para o tecido, geralmente feito em algodão 100%. Em seguida, as artesãs aplicam uma mistura de parafina e cera de abelha nas áreas que não receberão tinta.

Depois dessa etapa, o tecido passa por diferentes fases de tingimento, que criam os contrastes e os efeitos característicos da técnica.

Os primeiros modelos foram inspirados em imagens e referências trazidas pelos estrangeiros que ensinaram o método, muitas vezes adaptadas de revistas. Com o passar do tempo, porém, as próprias artesãs passaram a desenvolver seus desenhos e estilos.

“Hoje a gente cria muitos dos desenhos. Às vezes o cliente pede um tema ou uma imagem, e a gente improvisa a peça”, explica.

Entre os produtos confeccionados estão painéis decorativos, bolsas, capas de almofadas e outras peças em tecido que costumam chamar a atenção de visitantes interessados em artesanato e cultura regional.

Apesar do valor artístico e cultural do Batik, a atividade enfrentou dificuldades ao longo das últimas décadas. Mudanças econômicas, a saída de integrantes da cooperativa e, mais recentemente, os impactos da pandemia reduziram significativamente o número de artesãs envolvidas na produção.

Hoje, apenas quatro mulheres continuam trabalhando com a técnica na região. Mesmo com os desafios, o grupo segue tentando fortalecer novamente a produção e manter vivo um conhecimento que atravessou gerações.