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Bom pra nós, ruim pra eles: Gilead não morreu!

Por Manu Mariz

Se você é fã de O Conto da Aia (The Handmaid’s Tales) e se sentiu órfão quando a série terminou na sua sétima temporada, há quase um ano, trago boas notícias. O universo da distopia acaba de ser aumentado. A Disney+, em produção através da Hulu, acaba de lançar o spin off da série chamado Os Testamentos: As Filhas de Gilead.

A continuação das histórias de O Conto da Aia já tem quatro episódios disponíveis e lançará um novo a cada quarta-feira, até completarem dez. O enredo agora trata da história do lado de Gileade, e não da resistência. Conta o que se passa com a filha de June, que foi tirada dela, em torno de cinco anos depois e da sociedade na qual ela vive. Os livros, homônimos, da escritora Margaret Atwood, fora escritos com 34 anos de diferença entre eles, mas, nos livros, a diferença entre as histórias é de 15 anos. Porém os produtores escolheram diminuir o tempo passado entre as séries para dar uma proximidade na linha do tempo.

A normalidade do dia a dia das adolescentes da escola muda com a chegada de novatas vindas de fora da comunidade, convertidas para a religião e leis de Gileade. Daí então começa um desenrolar de amizades, mortes e mudanças de classes sociais entre as personagens. Muito me remete à série anterior, mas não tudo. Conseguimos sentir o clima de estresse com o retorno da Tia Lydia, a vida com as Esposas e com as Martas, porém há um estranho frescor no ar. A vida das adolescentes tira uma camada pesada de sombras e de sofrimento, pois na inocência (de algumas…) sente-se que a vida não é tão pesada quando era para as aias.

Mesmo assim não ache que tudo são flores. Logo de início há sinais de que o jogo vai virar e que a entrada de uma pessoa que vem de outro país, considerado normal para nós, vai mexer com todas as estruturas. Apesar de lembrar um pouco a série anterior, é possível assitir sem ter que ter visto tudo que já se passou. Basta ter uma leve ideia da história que se passa. Até agora, valeu a pena demais ver.

P.S.: Se você acha que essa realidade é apenas fictícia e nunca aconteceria de verdade em nosso mundo, sugiro que assista ao documentário Rezar e Obeder da Netflix, onde isso ocorreu em pequena escala numa comunidade fundamentalista separada de “mórmons” (integrantes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) e só acabou por causa de um detalhe que o novo líder passou a fazer, porque, senão fosse por esse pequeno detalhe, ele poderia ter tomado conta de todo os EUA em algumas décadas.