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Contando, ninguém acredita. Vendo, também não.

Por Manu Mariz

Já vimos a vida imitar a arte e a arte imitar a vida. Mas e quando uma história é tão bizarra que, nem vendo, a gente acredita naquele enredo? Ficamos nos perguntando como alguém conseguiu se colocar em uma situação daquelas. Às vezes, pensamos que isso jamais aconteceria com a gente, mas é melhor não se iludir. Cuide-se e cuide da sua saúde mental, porque ninguém chega a esse tipo de desfecho de uma hora para outra. É um processo longo, que pode terminar de forma digna de um roteiro de cinema. É por isso que gosto de assistir a histórias como essas: elas me fazem refletir sobre escolhas, amor-próprio, companhias e a importância de procurar ajuda quando necessário.

Hoje, quero indicar dois documentários.

O primeiro é Instinto Materno, disponível na Netflix. A produção conta a história real de Taylor Parker, uma mulher que enganou uma família inteira. Primeiro, fingiu ter dinheiro para realizar os sonhos de todos. Depois, simulou uma gravidez durante dez meses até roubar um bebê para fazê-lo passar por seu filho. Não vou dar spoilers. Apenas digo que são tantos acontecimentos absurdos que, em vários momentos, você se pergunta quem estava mais distante da realidade: quem inventou as mentiras ou quem acreditou nelas.

O segundo documentário, também na Netflix, conta uma história que, pelo menos, não é um crime — embora, na minha opinião, devesse ser. Em um país sério, um xamã que vende objetos afirmando que eles são energizados e capazes de curar até a covid deveria responder por isso. Mas, no fim das contas, acredita quem quer.

Em Realeza Rebelde: Um Amor Improvável, você acompanha essa história e muitas outras. Vê um homem que, durante décadas, se apresentava como gay e que, de repente, passa a se definir como bissexual para justificar seu relacionamento com a princesa da Noruega, Märtha Louise, casar-se com ela e desfrutar de uma vida de luxo e riqueza. Também vê uma mulher profundamente abalada pelo passado e pela morte precoce do ex-marido, pai de suas duas filhas, buscar respostas em toda sorte de práticas místicas até encontrar alguém que lhe oferece exatamente o que ela precisava naquele momento.

O mais triste é que quem está feliz, mesmo sendo enganado, dificilmente percebe a própria situação. Só sofreria se descobrisse que o amor era uma mentira e que tudo não passava de interesse financeiro, status e fama. Enquanto isso não acontece, vale o velho ditado: o que os olhos não veem, o coração não sente.

E é assim que, observando a vida dos outros, aprendemos sem precisar viver os mesmos erros. Pelo menos, essa é a esperança: que essas histórias sirvam de alerta para que nunca cheguemos a passar por situações semelhantes.

Que assim seja. Amém.

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