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Gilmore Girls envelheceu mal, mas só o roteiro!

Por Manu Mariz

Tenho certeza de que muitos de vocês já terminaram uma série longa, que desandou no meio do caminho, só para poder ficar com o sentimento de dever cumprido e satisfação de objetivo alcançado. Isso acabou de acontecer comigo. Nada como um aviso de “Disponível até 30 de junho” da Netflix para eu me obrigar e correr para ver.

Me refiro à série Gilmore Girls – Tal Mãe, Tal Filha (2000 a 2007, 153 episódios de 40 e poucos minutos) e a minissérie Gilmore Girls – Um Ano para Recordar (2016, 4 episódios de 1h30 cada!!!). Eu assistia à alguns episódios aleatórios no SBT quando eu era jovem. Adorava as falas com duzentas palavras por minuto e as centenas de referências à artistas variados, desde TV, cinema, literatura e outras artes, além de políticos (99% dos EUA, alguns tive que pesquisar para saber quem eram). Também gostava dos diálogos profundos sobre amizade e família.

Mas então, com o tempo, esses diálogos foram ficando cada vez mais escassos e dando espaço à conversas, por vezes, inúteis, que não acrescentavam nada à trama, ou até mesmo demasiadamente fúteis, que nem para ser engraçados serviam. Aconteceu também que, com nossa amadurescência, começamos a perceber aquelas coisas politicamente incorretas que fazem com que a gente veja que a matriarca trata mal os funcionários, toda conversa de garota se torna sobre se casar desesperadamente e a falha na comunicação entre as mesmas pessoas, que já deveriam ter aprendido há anos, continua se repetindo para poder fazer o drama dar certo.

Mesmo na série nova, muitos erros se repetem, mas alguns foram corrigidos. A mãe-mor, Emily, passa de destratar empregados para acolhê-los como família. Mesmo que seja pela carência de ser viúva, está válido. O importante é refletir e mudar. Porém ainda há momentos vergonhosos sobre como realizar uma parada gay, gracinhas sobre um gordo, dois idosos e crianças trabalhando no estilo escravizado, coisas que perderam demais a mão.

Com exceção do nosso querido Edward Herman, falecido em 2014, todas as personagens importantes reapareceram para o – quase – aniversário de dez anos. O interessante foi que deram um jeito de todos parecerem ter a mesma aparência do último episódio de 2007, apesar de todos estarem dez anos mais velhos. Os esforço maior ficou por conta de colocar uma prótese de cabelo em Luke (quase uma peruca), mas dá pra ver o topo calvo dele quando está com o famoso boné pra trás. E também dá para perceber, logo nos primeiros minutos, que a Lorelai está com sobrancelhas pintadas extremamente grossas e muitos cílios postiços. A diferença estava tão gritante que devem ter visto isso em tela e, no mesmo episódio, mais à frente, já estava corrigido e muito mais natural. E ainda ficou uma deixa para uma terceira volta às telas. Será que Gilmore Girls se tornará o próximo Dexter (sem fim!)? E quando eu penso que vou descansar da nostalgia, entram mais 187 episódios de One Tree Hill – Lances da Vida e 293 episódios de Beverly Hills 90210 – Barrados no Baile… Nãoooooo!!!

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