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Do pudim de palma ao licor de coroa-de-frade: sabores da caatinga transformam a gastronomia em atração turística

Quando se fala em turismo no Sertão paraibano, as primeiras imagens que costumam surgir são as serras, os mirantes e as paisagens marcadas pela caatinga. Mas, na região da Serra do Teixeira (PB), outro patrimônio vem conquistando espaço entre os visitantes: a gastronomia.

A criatividade do povo sertanejo também pode ser percebida à mesa. Ingredientes típicos do semiárido vêm sendo transformados em receitas que fortalecem a identidade local e ampliam a experiência dos visitantes. Um dos exemplos mais curiosos é o Pudim de Palma, iguaria criada na comunidade Lagoa da Fazenda, em Princesa Isabel, que inspirou até mesmo a criação de um restaurante temático e se tornou uma das referências gastronômicas da região.

A palma, conhecida pela resistência à seca e tradicionalmente utilizada na alimentação animal, ganhou novos usos na culinária sertaneja.

Segundo Artur Fragoso, presidente da Instância de Governança Regional (IGR) da Serra do Teixeira, a valorização desses ingredientes está diretamente ligada à capacidade de adaptação do povo sertanejo. “Passamos por muitas dificuldades relacionadas à seca e à escassez de água. Por isso aprendemos a utilizar espécies resistentes do nosso bioma. Hoje temos produtos derivados da palma e da coroa-de-frade que representam a nossa identidade e mostram a criatividade do nosso povo”, afirma.

A IGR trabalha de forma integrada a promoção dos atrativos naturais, culturais e gastronômicos da serra. Segundo Fragoso, os resultados já podem ser percebidos no aumento do interesse dos visitantes pelos roteiros da região.

Roteiro Caminhos e Memórias das Pedras

Licor de coroa de frade São José de Princesa

Em São José de Princesa (PB), a gastronomia também tem se consolidado como ferramenta de valorização cultural e geração de renda. Entre os destaques apresentados em feiras e eventos estão os licores de coroa-de-frade, umbu e cajá, além de geleias produzidas com frutas típicas do sertão.

O condutor de turismo, Orlando Faustino, destaca ainda outras receitas que ajudam a preservar a memória afetiva da região, como o doce de mamão verde com rapadura e coco, preparado a partir do mamão ralado ainda verde. “Também fazem parte desse cardápio afetivo os alfenins, conhecidos localmente como puxa-puxa, produzidos a partir do leite e muito procurados pelos visitantes”, ressalta.

Nos roteiros turísticos da região, os visitantes também encontram pratos que carregam a tradição alimentar sertaneja, como o arroz vermelho — conhecido localmente como arroz da terra —, a farofa de andu, a galinha com angu e outras receitas preparadas com ingredientes produzidos nas próprias comunidades.

O roteiro Caminho Memória das Pedras mostra como a gastronomia se integra aos demais atrativos da região. O percurso inclui mirantes, comunidades quilombolas, museus históricos e propriedades rurais onde é possível conhecer e degustar produtos derivados do leite de búfala.

O movimento de valorização da culinária regional também passa pela qualificação dos empreendedores locais. Cursos de gastronomia têm incentivado a criação de novos produtos a partir de ingredientes da região, estimulando a inovação sem perder a conexão com as raízes sertanejas.

O resultado é uma culinária que vai além do sabor. Cada licor, doce, geleia ou prato típico ajuda a contar a história de um território onde a criatividade nasceu da convivência com o semiárido e se transformou em patrimônio cultural.

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