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Turistas estrangeiros buscam experiências com o povo Potiguara na Paraíba

A cultura, os saberes e o modo de vida do povo Potiguara estão despertando cada vez mais o interesse de turistas estrangeiros que visitam a Paraíba. No Litoral Norte do estado, a Rota Terra dos Potiguara, que passa pelos municípios de Baía da Traição, Rio Tinto, Marcação e Mataraca, vem recebendo visitantes de diferentes países interessados em conhecer de perto as comunidades, suas tradições e a relação dos povos indígenas com o território.

A experiência também ganhou projeção internacional ao integrar o catálogo Feel Brasil, iniciativa da Embratur em parceria com o Sebrae voltada à promoção de experiências turísticas brasileiras no exterior. A presença da Rota Terra dos Potiguara no catálogo amplia a visibilidade do roteiro e coloca a cultura indígena paraibana no radar de viajantes e operadores internacionais.

Segundo o guia de turismo e indígena Wenison Medeiros, da Índio Viagens e Turismo, a procura pela Rota Terra dos Potiguara tem crescido de forma significativa. A Itália aparece entre os principais mercados, mas o roteiro também já recebeu visitantes de Portugal, Espanha, França, Bélgica e Estados Unidos.

“Temos percebido um crescimento muito significativo na procura de turistas estrangeiros pela Rota Terra dos Potiguara e por experiências que permitam conhecer o território indígena de uma forma verdadeira, não apenas como um passeio turístico”, afirma Wenison.

Os roteiros oferecem diferentes possibilidades de vivência no território Potiguara. Entre as experiências estão passeios de barco, trilhas, contato com a Mata Atlântica e a restinga, banho de argila, retirada de mariscos, gastronomia tradicional, artesanato, pintura corporal e momentos de interação com moradores das comunidades.

Um dos diferenciais está justamente no contato com pessoas que mantêm vivas tradições transmitidas entre gerações. É o caso de Angelina do Beiju, na Aldeia Alto do Tambá, que preserva a tradição da produção do beiju e da Casa de Farinha. Outro exemplo é Dona Severina, ligada à preservação da arte e dos saberes Potiguara.

Para Wenison, esse contato direto com a cultura é um dos aspectos que mais surpreendem os visitantes.

“O que mais emociona os estrangeiros, muitas vezes, não é uma atração específica. É perceber que aquela cultura está viva.”

 

Italianos se encantam com vivências Potiguara

Entre os visitantes recentes da Rota Terra dos Potiguara está um grupo de turistas italianos que percorreu o território e teve contato com diferentes experiências culturais.

A italiana Silvia Blasi destacou a hospitalidade como uma das principais lembranças da viagem. “O que mais me marcou durante a experiência foi, sem dúvida, a gentileza e a hospitalidade das pessoas que conhecemos.”

Para Donatella Salento, que também participou do roteiro, o contato com os costumes locais foi um dos pontos altos da visita. “Foi muito bom conhecer as tradições de vocês, como a pesca de caranguejos e mariscos. Vivenciar a cultura de vocês foi realmente muito especial.”

Os depoimentos ajudam a revelar uma característica importante da experiência: para quem chega de fora, o encontro com os moradores e o contato com práticas tradicionais podem ser tão marcantes quanto as paisagens do território.

Turistas italianos no passeio que faz parte da Rota dos Potiguara

Turismo cultural também movimenta a economia local

Foto Wenison Medeiros

A presença dos turistas nas comunidades contribui para a valorização da cultura e para a geração de renda. A realização dos roteiros envolve moradores, artesãos, produtores da gastronomia tradicional, condutores e pessoas que possuem conhecimentos relacionados à história e à cultura Potiguara.

Na prática, o visitante ajuda a criar condições para que os conhecimentos tradicionais continuem sendo preservados. “Quando o turista compra uma experiência que envolve o beiju produzido por Angelina, por exemplo, ele não está apenas consumindo um alimento. Está ajudando a manter uma tradição e gerando renda para quem preserva aquele conhecimento”, explica Wenison.

O mesmo acontece com o artesanato, a gastronomia e as demais atividades desenvolvidas pelos moradores que participam dos roteiros. Para o guia, quando realizado de maneira responsável, o turismo pode criar oportunidades econômicas sem afastar as comunidades de seus próprios costumes.

Nova fase busca ampliar permanência dos turistas

A Rota Terra dos Potiguara passa por uma nova fase de estruturação, com o objetivo de ampliar o tempo de permanência dos visitantes no território e, consequentemente, gerar mais oportunidades para os empreendedores locais.

De acordo com Laís Catarine Ramos, Agente de Roteiro Turístico (ART) do Sebrae-PB, a estratégia é diversificar as experiências e criar novos motivos

Lais Catarine, ART do Sebrae-PB

para que o visitante permaneça mais tempo na região.

“A ideia é que o turista tenha motivos para ficar, conhecer diferentes experiências e voltar em outro momento. Para isso, estamos trabalhando na valorização dos saberes ancestrais do povo Potiguara e das comunidades rurais, transformando esses conhecimentos em experiências que tenham significado para quem visita e, ao mesmo tempo, gerem oportunidades para quem vive e empreende na região”, explica.

A estratégia de promoção internacional por meio do Feel Brasil já começa a apresentar resultados. Segundo Laís, a procura de turistas estrangeiros pela rota aumentou mais de 100%, enquanto novas operadoras demonstram interesse em estabelecer parcerias e incluir as experiências em seus portfólios.

“Existe uma demanda crescente por experiências autênticas, nas quais o visitante possa conhecer o lugar, as pessoas, os saberes, os sabores e a história daquele território.”

A expectativa é consolidar a Rota Terra dos Potiguara como uma experiência cultural diferenciada no cenário turístico nacional e internacional. Para isso, no entanto, ainda há desafios relacionados à estruturação do destino.

Crescimento exige estrutura e participação das comunidades

Entre os pontos que ainda precisam avançar estão a ampliação da divulgação, a qualificação dos serviços, a melhoria da infraestrutura e da acessibilidade e o fortalecimento das políticas públicas voltadas ao turismo no território. Para Wenison, outro aspecto considerado fundamental é garantir que as próprias comunidades participem das decisões sobre as experiências oferecidas. “A comunidade precisa participar das decisões sobre o que pode ser mostrado, como deve ser mostrado e quem deve se beneficiar. O território não pode ser apenas um cenário para o turista. Ele é a nossa casa, a nossa história e a nossa identidade.”

“O futuro precisa ser construído com os povos indígenas, e não apenas sobre os povos indígenas.”

Laís também destaca que esse processo depende da articulação entre comunidades, empreendedores, instituições e operadores turísticos.

“Um dos nossos grandes desafios é encontrar esse equilíbrio entre preservar os saberes ancestrais e, ao mesmo tempo, estruturar um produto turístico competitivo e sustentável. Isso não acontece de uma hora para outra. É uma construção que depende da participação dos empreendedores, das comunidades e dos parceiros que acreditam no desenvolvimento do destino”, explica.

Entre os pontos que ainda precisam avançar estão as estratégias para enfrentar a sazonalidade, especialmente durante o período de chuvas, quando o acesso a algumas comunidades pode ser prejudicado. Também estão entre as prioridades a ampliação da divulgação, a qualificação dos serviços e a diversificação das experiências em diferentes pontos do território. Para Laís, os resultados obtidos até agora indicam que o interesse internacional pode abrir novas oportunidades para a região.

“Os resultados mostram que estamos no caminho certo. O interesse de visitantes de diferentes países e de novas operadoras confirma que existe espaço para uma experiência como essa no mercado internacional. Nosso desafio agora é fazer esse crescimento acontecer de forma responsável, garantindo que ele gere benefícios reais para as comunidades e fortaleça aquilo que torna a Rota Terra dos Potiguara única: sua cultura, seus saberes e as pessoas que vivem nesse território,” ressaltou Laís Catarine.

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