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Do litoral ao sertão, destinos da Paraíba são mapeados para o turismo de casamento

Casar pode ser também uma forma de viajar. No Destination Wedding, termo usado para definir casamentos realizados fora da cidade onde os noivos vivem, a celebração se transforma em uma programação que pode durar vários dias e reunir familiares e amigos em torno de experiências de viagem.

Na prática, os convidados chegam antes da cerimônia, se hospedam na região, conhecem a gastronomia, participam de atividades culturais e turísticas e, em alguns casos, permanecem por mais tempo depois da festa. Esse movimento começa a despertar a atenção de profissionais do mercado de casamentos na Paraíba, que vêm mapeando lugares com potencial para receber esse público.

Lara Madruga e Sammiris Anacleto

A iniciativa é conduzida por Sammiris Anacleto, celebrante de casamentos na Amor com Cerimônia, e Lara Madruga, assessora de casamentos na Lara Madruga Eventos e Gestão. O trabalho reúne profissionais do setor para conhecer diferentes regiões do estado e identificar espaços que possam unir estrutura para eventos e atrativos turísticos.

“O Casar na Paraíba nasce da percepção, construída por quem atua diretamente no mercado de casamentos, de que a Paraíba reúne atributos únicos para se posicionar como um dos grandes cenários de Destination Weddings do país”, explica Sammiris.

Com apoio do Sebrae Paraíba e incentivo de Regina Amorim, gestora de Turismo e Economia Criativa, o projeto começou a percorrer diferentes regiões para conhecer de perto as possibilidades existentes.

Mais do que um lugar bonito para casar

A escolha de um destino para realizar um casamento envolve fatores que vão além do cenário da cerimônia. A estrutura de hospedagem, o acesso, a gastronomia, as atividades disponíveis para os convidados e a rede de profissionais são alguns dos pontos considerados durante o mapeamento.

Hotéis, pousadas, fazendas, casarões históricos e casas de eventos estão entre os espaços visitados. O levantamento também procura identificar locais que ainda não trabalham com Destination Wedding, mas demonstram interesse em adaptar sua estrutura para esse mercado.

“Quem escolhe viver o Destination Wedding busca muito além de um lugar bonito para casar”, afirma Lara.

Nesse sentido, a diversidade da Paraíba amplia as possibilidades. O litoral pode receber celebrações à beira-mar, enquanto cidades do Brejo, Cariri e Sertão podem oferecer outros cenários, além de experiências ligadas à cultura, à gastronomia e aos modos de vida de cada região.

Quando o casamento vira uma viagem

O formato também modifica a dinâmica da própria celebração. Em vez de reunir os convidados apenas no dia da cerimônia, o casal pode criar uma programação que começa antes e termina depois da festa.

Uma possibilidade é realizar uma recepção na sexta-feira, seguida pelo casamento e pela festa no sábado. No domingo, um almoço pode marcar a despedida. Entre uma programação e outra, os convidados têm a oportunidade de conhecer a região e consumir produtos e serviços locais.

Hospedagem, alimentação, transporte, passeios e atividades culturais passam, assim, a fazer parte da experiência dos visitantes.

Para Sammiris e Lara, essa característica faz do segmento uma oportunidade para o turismo. “O Destination Wedding é um braço importante do turismo, ele movimenta a economia local de forma grandiosa”, destacam.

Profissionais conhecem os destinos na prática

Estação Bananeira, em Bananeiras

Para que esse potencial chegue aos casais que procuram um lugar diferente para se casar, o projeto também aposta na aproximação entre os profissionais de eventos e os destinos.

Uma das ações são as visitas técnicas realizadas em pequenos grupos. A primeira levou assessores, fotógrafos e filmmakers de João Pessoa aos municipios de Areia e Bananeiras, no brejo paraibano. Novas viagens estão sendo preparadas para outras regiões, com a participação de profissionais diferentes.

Durante os encontros, os participantes conhecem os espaços para as cerimônias, mas também experimentam a gastronomia local, avaliam opções de hospedagem e atividades, conversam com proprietários e equipes e conhecem, na prática, a estrutura de cada local.

A estratégia também aproxima mercados que normalmente trabalham em regiões distintas. Profissionais do litoral passam a conhecer opções no Brejo, Cariri e Sertão, enquanto fornecedores do interior podem descobrir espaços e possibilidades para casamentos nas praias paraibanas.

Eco Parque Angicos, em Bananeiras

Um mercado que pode movimentar diferentes setores

O interesse pelo turismo de casamento está relacionado justamente à capacidade de esse tipo de evento movimentar uma cadeia que vai muito além da cerimônia.

Um único casamento pode envolver hospedagem, restaurantes, transporte, decoração, fotografia, filmagem, música, produção, beleza e experiências turísticas. Como os convidados permanecem mais tempo na região, parte desse consumo acontece antes e depois da festa.

Para a Paraíba, o desafio está em transformar os atrativos existentes em produtos preparados para receber esse público. Isso envolve estrutura, qualificação dos profissionais, articulação entre os diferentes setores e divulgação dos destinos para além do mercado local.

O mapeamento realizado pelo Casar na Paraíba segue nessa direção, aproximando quem trabalha com casamentos dos espaços e experiências encontrados em diferentes regiões do estado.

“Nós realmente acreditamos na Paraíba como um grande destino a ser consolidado no mapa do turismo de casamento no Brasil nos próximos anos. Somos um estado lindo, com destinos encantadores, pessoas acolhedoras, profissionais de excelência, experiências culturais e gastronômicas riquíssimas”, afirmam Sammiris e Lara.

A proposta, no fim das contas, amplia a própria ideia de casamento. Em vez de uma celebração que começa e termina no dia da festa, a viagem pode se tornar parte da história dos noivos e de seus convidados, levando para o destino não apenas o evento, mas também novos visitantes e novas possibilidades de consumo turístico.

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