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Reflorestamento na Caatinga: associação de Araruna produz até 450 mil mudas por ano

Em meio aos desafios provocados pela degradação da Caatinga, uma iniciativa desenvolvida em Araruna, no Curimataú paraibano, vem ampliando as ações de preservação e reflorestamento na região. É no município que está instalada a Afink – Associação de Formação e Incentivo para o Nordeste Karente, que mantém um viveiro com capacidade de produção anual entre 400 mil e 450 mil mudas de espécies nativas.

Fundada em 2012, a associação atua na produção de mudas, recuperação de áreas degradadas e educação ambiental. Atualmente, o viveiro trabalha com mais de 60 espécies, com prioridade para plantas nativas da Caatinga, além da produção de mudas frutíferas.

Segundo Marcelo Gomes, coordenador da Afink, a iniciativa surgiu a partir da preocupação com a retirada crescente da vegetação para abertura de áreas destinadas principalmente à criação de gado.

“A nossa região está ficando devastada, todo mundo tirando as árvores e cada vez mais se aprofundando e tirando mais para começar a implantar capim para criar gado. Então a gente fez ao contrário”, explica.

Além da produção de mudas, a associação também investe na recuperação de áreas próprias. Uma delas é uma propriedade adquirida pela instituição, onde a Afink pretende desenvolver uma área destinada à conservação ambiental.

Educação ambiental aproxima estudantes da Caatinga

A associação também desenvolve ações de educação ambiental com escolas da região, levando estudantes para conhecer o campo, acompanhar o processo de produção de mudas e observar de perto as iniciativas de reflorestamento.

A proposta é proporcionar uma experiência prática e aproximar crianças e jovens da realidade ambiental da Caatinga.

Segundo Marcelo Gomes, as atividades devem integrar um calendário periódico com as escolas. “Vamos fazer ações todo mês. Tem um calendário com as escolas, que a gente leva os alunos  para o campo”, relata.

Tecnologia ajuda no cultivo de mudas em períodos de seca

Entre as experiências desenvolvidas pela Afink está o uso de uma tecnologia baseada em hidrogel para auxiliar no cultivo das plantas. A equipe conheceu a técnica durante um evento em Fortaleza e passou a testar a aplicação na região.

De acordo com o diretor, algumas plantas já permanecem há cerca de 60 dias em desenvolvimento sem receber irrigação, apresentando resultados considerados positivos pela equipe.

A intenção é ampliar os testes e avaliar a utilização da tecnologia em outros municípios, principalmente em áreas que enfrentam períodos prolongados de escassez de água.

Reflorestamento em Araruna atrai voluntários estrangeiros

O trabalho desenvolvido pela Afink também tem despertado o interesse de pessoas de outros países que desejam conhecer as práticas adotadas pela associação.

A instituição já recebeu voluntários estrangeiros. Entre eles esteve uma voluntária da Alemanha, que permaneceu durante seis meses acompanhando as atividades e conhecendo o trabalho desenvolvido no município.

Para Ricardo Câmera, secretário de Meio Ambiente e Turismo de Araruna, esse intercâmbio contribui para ampliar a circulação das experiências desenvolvidas na região e estimular iniciativas semelhantes em outros lugares.

As ações desenvolvidas pela Afink também contam com financiamento de empresas e universidades da Alemanha, que contribuem para a realização dos projetos.

Além das iniciativas ambientais, a associação desenvolve oficinas de música, mantém uma pousada e pretende investir na caprinovinocultura.

A iniciativa mostra que a recuperação da Caatinga pode começar com ações locais e ganhar novos caminhos por meio da troca de conhecimentos, do envolvimento de estudantes e da parceria com instituições de diferentes lugares.

Com a produção de espécies nativas, a recuperação de áreas e o desenvolvimento de novas técnicas para enfrentar a escassez de água, a associação busca ampliar esse trabalho e incentivar que mais pessoas reconheçam a importância de conservar a vegetação e plantar novas árvores no semiárido.

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